Juiz de Fora, MG — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste sábado (28) que o financiamento de moradias para famílias que perderam suas casas nas fortes chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais seguirá o modelo adotado nas enchentes do Rio Grande do Sul há dois anos. Em visita à região, Lula garantiu apoio integral da União às cidades atingidas, que já contabilizam 66 mortes, incluindo assistência às prefeituras e linhas de crédito para pequenos empresários.
Em declaração conjunta à imprensa após reunião com os prefeitos de Juiz de Fora, Ubá e Matias Pereira, o presidente destacou o aprendizado com a tragédia gaúcha. “Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, declarou.
Para acelerar os trabalhos de reconstrução, Lula determinou a criação de um escritório federal em Juiz de Fora, município mais afetado. As novas residências, segundo explicou o presidente, não serão construídas em locais considerados de risco. Caso as cidades não disponham de terrenos adequados, o governo poderá adotar o modelo de “compra assistida”, já utilizado em outras calamidades climáticas. Neste formato, as famílias desalojadas recebem um valor do governo federal para adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado, com todo o custo arcado pela União. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, reiterou Lula, enfatizando a prioridade em garantir moradia digna e segura, longe de encostas e áreas de alagamento.
Pela manhã, o presidente sobrevoou as áreas devastadas, visitando Juiz de Fora, que concentra o maior número de vítimas e milhares de desalojados, e conversando com moradores em abrigos improvisados. Além de Juiz de Fora, municípios como Ubá, Matias Barbosa, Divinésia e Senador Firmino também sofreram impactos severos com deslizamentos e alagamentos.
Em encontros com prefeitos da região, Lula solicitou um levantamento detalhado dos prejuízos para viabilizar a liberação de recursos federais. “O que for material, seja na saúde, na educação ou na infraestrutura, nós vamos garantir que seja recuperado”, afirmou.
O governo federal já anunciou a liberação de recursos para ações emergenciais e assistência humanitária, destinados ao restabelecimento de serviços essenciais, apoio a abrigos e reconstrução de estruturas públicas. Também foi confirmada a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas, além da possibilidade de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para moradores dos municípios afetados, conforme as regras para desastres naturais. Pequenos empresários terão acesso facilitado a crédito para retomar suas atividades e recompor estoques e equipamentos perdidos.
Ao final da agenda, o presidente reforçou que o apoio federal será apartidário. “Não importa o partido do prefeito. Teve problema na cidade, tem projeto bem-feito e demanda verdadeira, nós vamos ajudar”, assegurou. Reconhecendo que vidas perdidas não podem ser recuperadas, Lula garantiu o compromisso do governo em restabelecer as condições de moradia e infraestrutura, buscando dar “perspectiva e dignidade para recomeçar”.
Lula esteve acompanhado dos ministros Jader Filho (Cidades), Alexandre Padilha (Saúde), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Wellington Dias (Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome), do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira, e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e o prefeito de Ubá, José Damato, também participaram do pronunciamento.
A prefeita Margarida Salomão, em nome dos gestores locais, comprometeu-se com o detalhamento das necessidades, expressando confiança no apoio federal. “Ninguém vai ficar para trás. Ninguém vai ficar sem casa, ninguém vai ficar desassistido. A vida não conseguimos recuperar, mas a perspectiva de vida a todos podemos garantir”, declarou. O evento foi encerrado com um minuto de silêncio em memória das vítimas do desastre climático, a pedido do presidente.
Por Marcos Puntel