O Brasil contabilizou 88 novos casos confirmados do vírus Mpox, com a vasta maioria concentrada no estado de São Paulo, que reporta 62 infecções desde janeiro. Os demais registros foram distribuídos entre Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1). Embora os quadros clínicos predominem em estágios leves a moderados, o país não registrou óbitos relacionados à doença até o momento. Em 2023, o cenário foi mais grave, com 1.079 casos e 2 mortes confirmadas, conforme dados do Ministério da Saúde.

A Mpox, causada pelo vírus Monkeypox, é uma enfermidade cujo contágio ocorre por contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. O sintoma mais comum é uma erupção cutânea que se assemelha a bolhas ou feridas, podendo persistir de duas a quatro semanas. Outros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. As lesões podem aparecer no rosto, palmas das mãos, solas dos pés, virilha, regiões genitais e/ou anal.

A transmissão interpessoal do vírus ocorre por meio de contato próximo com um indivíduo infectado. Isso inclui a proximidade na fala ou respiração, que pode gerar gotículas ou aerossóis de curto alcance; contato pele a pele, como toques ou relações sexuais (vaginal/anal, oral); e contato boca a boca. O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões infectantes também pode ser uma via de transmissão.

O período de incubação da doença, ou seja, o tempo entre o primeiro contato com o vírus e o início dos sinais e sintomas, varia tipicamente de 3 a 16 dias, podendo se estender até 21 dias. Ao identificar os sintomas, é crucial buscar uma unidade de saúde para a realização de exame laboratorial, a única forma de confirmação diagnóstica. O diagnóstico diferencial é importante, considerando outras condições como varicela zoster, herpes, sífilis e reações alérgicas. O Ministério da Saúde orienta que pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem iniciar isolamento imediato, evitar o compartilhamento de objetos e materiais de uso pessoal até o término do período de transmissão.

O tratamento para Mpox foca no alívio dos sintomas, na prevenção e no manejo de complicações, buscando evitar sequelas. A maioria dos casos se manifesta com sinais e sintomas leves e moderados, e atualmente não há medicamento aprovado especificamente para Mpox. A prevenção primordial consiste em evitar contato direto com indivíduos suspeitos ou confirmados com a doença. Caso o contato seja inevitável, recomenda-se o uso de luvas, máscaras, avental e óculos de proteção. A lavagem frequente das mãos com água e sabão ou o uso de álcool em gel são medidas essenciais, especialmente após o contato com a pessoa infectada ou com objetos e superfícies que possam ter entrado em contato com suas lesões ou secreções. O Ministério da Saúde ainda alerta para a necessidade de lavar roupas de cama, roupas, toalhas, talheres e objetos pessoais do paciente com água morna e detergente, além de limpar e desinfetar todas as superfícies contaminadas e descartar resíduos infectados de forma adequada.

Embora na maioria dos casos os sintomas da Mpox desapareçam espontaneamente em poucas semanas, o vírus pode levar a complicações médicas e, em situações raras, até à morte. Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente são grupos de maior risco para desenvolver sintomas graves e fatalidades. Quadros graves podem incluir lesões mais extensas e disseminadas (especialmente na boca, olhos e órgãos genitais), infecções bacterianas secundárias de pele, ou infecções sanguíneas e pulmonares. Outras complicações incluem encefalite, miocardite ou pneumonia, além de problemas oculares. Pacientes com Mpox grave podem necessitar de internação, cuidados intensivos e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e acelerar a recuperação. Dados históricos indicam que entre 0,1% e 10% das pessoas infectadas pelo vírus podem morrer, com as taxas de mortalidade variando conforme fatores como acesso a cuidados de saúde e condições de imunossupressão.

No estado de São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP) reporta um número de 50 casos, diferindo dos 62 mencionados pelo governo federal. A capital paulista é o município com o maior número de casos, totalizando 31. Outros municípios como Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araraquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis registraram um caso cada, enquanto Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes contam com dois casos em cada cidade. Em comparação com o ano anterior, os dois primeiros meses de 2023 somaram 126 casos em São Paulo, com 79 em janeiro e 47 em fevereiro, indicando uma redução nos registros iniciais para o período atual.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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