Cuiabá, MT – A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) deu início, no último sábado, 21 de fevereiro, a uma expedição técnica estratégica denominada “Estradeiro da BR-163 — Do Campo ao Porto”. Cerca de vinte presidentes de sindicatos rurais integram a caravana, que percorrerá a principal rota de escoamento da produção de grãos de Mato Grosso até os portos de Miritituba e Santarém, no Pará. O objetivo principal é avaliar, in loco, as condições logísticas da rodovia e reunir informações que embasem propostas de melhorias em infraestrutura e segurança viária.
O trajeto da comitiva teve início na BR-163, com um percurso de 684 quilômetros de Cuiabá até Matupá. No dia seguinte, a expedição seguiu de Matupá para a região do KM 30, já em território paraense, em um trecho de 756 quilômetros. Durante essa etapa, os participantes observaram trechos com maior desgaste, pontos de risco e os impactos gerados pelo intenso tráfego de caminhões, crucial para o setor agropecuário.
Na segunda-feira, o grupo percorreu os 32 quilômetros do KM 30 até Miritituba, onde uma visita técnica à Estação de Transbordo de Cargas (UNI-Z) estava programada, complementada por uma atividade fluvial para conhecer as áreas de transbordo. Ainda no mesmo dia, a caravana partiu de Miritituba rumo a Santarém, em um deslocamento de 362 quilômetros, conectando o modal rodoviário à etapa portuária essencial para o escoamento da produção. Em Santarém, a agenda incluiu visitas técnicas às docas por via fluvial e à Companhia Docas do Pará, focando na infraestrutura e nos acessos estratégicos vinculados ao corredor do Tapajós/Arco Norte.
Vilmondes Tomain, presidente da Famato, ressaltou a importância do Estradeiro como uma ferramenta para transformar a experiência na rodovia em um diagnóstico técnico preciso e em proposições práticas. “Vamos percorrer para ver o problema de perto. Os produtores representam a realidade de quem depende dessa estrada para trabalhar e escoar a produção. O agronegócio responde por 56% do PIB de Mato Grosso. Por isso, pedimos ao poder público um olhar mais estratégico para as necessidades do setor”, afirmou.
Tomain também destacou a necessidade urgente de ampliar a capacidade de armazenagem como medida fundamental para reduzir gargalos logísticos e aliviar a pressão sazonal sobre a rodovia. “Precisamos viabilizar a construção de armazéns, mesmo que de menor porte, para que o produtor não fique refém das intempéries durante a colheita e para diminuir o pico sazonal de caminhões nas rodovias”, pontuou. Ao longo da expedição, a comitiva está encarregada de identificar e mapear pontos críticos da BR-163, incluindo trechos sem pavimentação, buracos, atoleiros e desbarrancamentos, além de avaliar a qualidade da manutenção nos segmentos já pavimentados e o impacto do tráfego pesado de grãos sobre a infraestrutura viária.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br