A comunidade ucraniana residente no Brasil intensificou, nas últimas semanas, suas ações de mobilização em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. O objetivo é duplo: arrecadar fundos essenciais para o esforço humanitário na Ucrânia e pressionar por maior apoio político contra a agressão russa, que já se estende por mais de dois anos desde a invasão em larga escala de fevereiro de 2022, com raízes em conflitos anteriores que datam de 2014.
As capitais brasileiras com significativa presença ucraniana tornaram-se palcos de uma série de eventos. Em São Paulo, manifestações pacíficas e feiras gastronômicas em centros culturais e praças públicas, como a Praça da República, serviram como pano de fundo para a coleta de doações, com a culinária típica e apresentações folclóricas atraindo o público. Curitiba, cidade que abriga a maior comunidade ucraniana do país, viu suas igrejas e associações civis se transformarem em pontos de coleta de suprimentos médicos, agasalhos e itens de higiene, essenciais para a população afetada pela guerra e pelo rigoroso inverno. No Rio de Janeiro, eventos online e presenciais foram organizados para conscientizar a população sobre a realidade do conflito e a urgência de auxílio.
Os fundos arrecadados são destinados a organizações não governamentais que atuam diretamente no front humanitário, provendo desde alimentos e medicamentos até suporte psicológico para vítimas da guerra e refugiados. Contudo, a mobilização vai além da ajuda material. Há um forte apelo por uma postura mais incisiva do governo brasileiro no cenário internacional. “Não podemos normalizar a agressão. Precisamos que o Brasil use sua voz diplomática para condenar veementemente as violações do direito internacional e apoiar a soberania ucraniana”, afirmou Igor Kozak, presidente da Associação Cultural Ucraniana do Brasil, durante um dos eventos em São Paulo.
A ação coincide com um período crítico do conflito. A persistência dos ataques, a destruição de infraestruturas civis e a crise humanitária contínua sublinham a necessidade de apoio contínuo e visibilidade internacional. “Nossos irmãos e irmãs na Ucrânia enfrentam um inverno rigoroso e a constante ameaça. Cada doação, cada assinatura em um abaixo-assinado, cada voz que se levanta contra a guerra faz a diferença”, ressaltou Maria Sobol, voluntária da comunidade ucraniana em Curitiba.
A comunidade busca não apenas angariar recursos, mas também manter viva a memória e a indignação contra os atos de guerra. A mobilização serve como um lembrete de que, mesmo a milhares de quilômetros de distância, o impacto do conflito é sentido e a solidariedade transcende fronteiras, reforçando a esperança de um futuro de paz para a Ucrânia. Novas ações e eventos estão previstos para as próximas semanas, mantendo o engajamento da diáspora ucraniana no Brasil.
Por Marcos Puntel