O excesso de chuvas em Mato Grosso, especialmente na região norte do estado, tem comprometido severamente a qualidade da soja colhida nesta safra, agravando a já delicada situação financeira dos produtores rurais. A umidade persistente tem atrasado e, em alguns casos, paralisado a colheita, resultando em lotes com alto percentual de grãos ardidos e avariados, o que se traduz em descontos significativos no preço pago ao sojicultor.

Produtores de Matupá, como Daniel Sperandio Letieri e Daniela Campestrini, relatam um cenário de caixa apertado. Os baixos preços da oleaginosa somados aos altos custos de produção, estimados em cerca de 55 sacas por hectare, já eram um desafio. Com a deterioração da qualidade, a situação piora. “Colocando uma boa média hoje seriam 70 sacas por hectare. Para sobrar, tiramos os 30% de avariado, que está dando para todo mundo, e é a média. Estamos trabalhando seis sacas no negativo”, explicam, ressaltando que para quem paga arrendamento, a perda pode chegar a 16 sacas negativas por hectare. O desafio imediato é encontrar compradores para esses lotes comprometidos e tentar recompor o caixa das propriedades, com imagens das lavouras evidenciando a extensão dos danos.

A preocupação se estende aos armazéns da região, que já revisam suas estratégias. Walter José de Paula, gerente do Armazém Espaço Grão, descreve a situação como delicada. “Com esse problema de muita chuva, muita umidade, muito avariado, perde-se muito da produtividade. Realmente seria uma super safra se estivéssemos com um tempo bacana. Para nós do armazém é complicado, porque quando a empresa quiser embarcar aqui, ela vai querer soja com 8% de avariado. A gente torce para que o restante da safra venha soja padrão, para podermos ajudar todo mundo, tanto o produtor quanto o armazém, a sair com essa soja que a gente recebeu durante esses dias.”

Apesar dos problemas de qualidade reportados em algumas regiões, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) elevou recentemente a projeção da safra de soja do estado para 50,52 milhões de toneladas. A produtividade média estimada é de 64,73 sacas por hectare, um aumento de 7,06% em relação ao número divulgado em dezembro. O Imea informou ainda que a colheita da soja 2025/26 atingiu 24,97% da área estimada para o ciclo, um ritmo acelerado impulsionado por janelas de tempo mais firme e maior presença de sol em outras localidades do estado.

No entanto, a previsão do tempo não traz alívio. Os mapas meteorológicos continuam indicando chuvas frequentes e volumosas sobre o Brasil Central, especialmente em Mato Grosso e Goiás, ao menos nos primeiros dez dias de fevereiro. Para a próxima semana, as projeções da NOAA apontam acumulados entre 65 mm e 75 mm na maior parte do estado. Se confirmados, esses volumes podem limitar ainda mais o avanço da colheita em algumas regiões, principalmente no norte mato-grossense, intensificando a preocupação com a qualidade da soja e os impactos econômicos para os produtores.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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