Caminhoneiros que transportam a safra de grãos do norte de Mato Grosso, vindos de municípios como Sorriso, Sinop, Nova Ubiratã e Lucas do Rio Verde, enfrentam longas e extenuantes filas para descarregar suas cargas no Porto de Miritituba, localizado em Itaituba, no sudoeste do Pará. A situação, que tem se tornado rotineira, é gravemente impactada pelas condições precárias das estradas e pela intensa demanda do período de colheita.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Tapajós TV, da Rede Globo, carretas se acumulam há dias na região portuária. Em alguns casos extremos, motoristas relatam esperas de até quatro dias para conseguir realizar o descarregamento, um tempo que excede em dobro a média usual de dois dias. Um dos caminhoneiros ouvidos expressou sua frustração com a ausência de previsão para a liberação das cargas.
O principal fator apontado pelos motoristas para o colapso logístico é o estado da “transportuária”, a via crucial que conecta a BR-230 ao Porto de Miritituba. Esta rota é vital para o escoamento da produção agrícola nacional. Em períodos de chuva, os caminhões enfrentam imensa dificuldade para vencer trechos críticos, impedindo tanto a chegada de novos veículos quanto a saída daqueles que já deveriam ter descarregado. Além das estradas, a baixa capacidade operacional dos terminais portuários para lidar com o grande volume de grãos durante o pico da safra também é uma queixa constante. A expectativa é de que o cenário se agrave nas próximas semanas, com a projeção de um aumento ainda maior no fluxo de caminhões provenientes de Mato Grosso.
Uma das alternativas consideradas para aliviar a pressão sobre Miritituba é o escoamento da produção pelo Porto de Santarém. Contudo, essa opção também gera preocupação entre os caminhoneiros, devido às condições da BR-163. Trechos sem pavimentação e com grande quantidade de buracos, especialmente entre Campo Verde, Rurópolis e Santarém, comprometem a atratividade da rota sob os aspectos logístico e financeiro.
Diante do cenário, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) atua no local para orientar os motoristas e organizar o fluxo, buscando evitar congestionamentos ainda maiores e práticas perigosas, como filas triplas, tráfego pelo acostamento e pela contramão. Em nota, a Via Brasil, concessionária responsável pela BR-230, informou que as filas na região decorrem principalmente dos processos de credenciamento, chamada e agendamento para o recebimento de veículos nos terminais portuários. A empresa afirmou estar investindo na construção de um novo acesso às estações de transbordo, com o objetivo de otimizar a fluidez, a segurança e o tráfego. No que tange à BR-163, entre Rurópolis e Santarém, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) declarou situação de emergência e está trabalhando na contratação de uma empresa para iniciar a recuperação da rodovia.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br