O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado hoje, marca 137 anos da abolição da escravatura no Brasil e, pela segunda vez, é feriado nacional. A data convida a sociedade a uma reflexão profunda sobre o racismo estrutural, a violência e a letalidade policial, temas que ganharam destaque após a recente “Operação Contenção” nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
A operação, ocorrida em 28 de outubro, resultou na morte de 121 pessoas, incluindo dois policiais militares e dois policiais civis. Considerada a maior chacina já registrada no país, a ação expôs a vulnerabilidade da população negra, uma vez que, segundo levantamento do Ibase, Instituto Raízes em Movimento e ONG Educap, 79% dos moradores do Complexo do Alemão são negros. Até o momento, nenhuma das vítimas fatais havia sido denunciada à Justiça. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB-RJ) criou um observatório para acompanhar a apuração sobre o cumprimento da lei pelas polícias na operação.
Especialistas apontam que operações policiais como a “Contenção” são reflexo de um legado colonial que persiste no país. A violência, antes utilizada para a exploração escravocrata, se manifesta hoje em ações que atingem principalmente comunidades negras e pobres. Um estudo do Atlas da Violência revela que a chance de um negro ser assassinado no Brasil é quase três vezes maior que a de um branco.
A promotora de Justiça Lívia Sant’Anna ressalta que o Dia da Consciência Negra é um marco de memória, luta e denúncia, e que operações como a dos complexos da Penha e do Alemão revelam a normalização da letalidade como método de segurança pública. A presença do Estado, segundo ela, se restringe a momentos “coléricos” como a operação, em vez de se manifestar em ações de educação, cultura, assistência social e saúde.
Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) apontam que as forças de segurança no Rio de Janeiro priorizam operações em áreas dominadas por facções, como os complexos da Penha e do Alemão, em detrimento de áreas controladas por milícias, evidenciando uma disparidade na atuação policial.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br