O governo da prefeita Flávia Moretti (PL) enfrenta crescente escrutínio em relação à alocação e utilização do orçamento municipal. Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Câmara Municipal, expressou sérias preocupações sobre a administração, alegando falhas no planejamento e na implementação de projetos essenciais para a cidade.

Cerqueira destacou que a Secretaria de Obras, detentora de um orçamento de R$ 238 milhões, sofreu um significativo remanejamento de recursos, comprometendo a infraestrutura local. Ele alega que, apesar do considerável orçamento, a secretaria gastou menos de R$ 35 milhões até o momento, com mais de R$ 100 milhões sendo redirecionados. Para o vereador, este desvio de verbas é o motivo para a cidade apresentar infraestrutura precária.

A falta de investimento em áreas cruciais como o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a própria Secretaria de Obras também foram alvo de crítica. Segundo Cerqueira, a prefeita prioriza outros setores em detrimento de serviços básicos à população. Ele mencionou que, embora o investimento na saúde tenha atingido 35%, o investimento na educação, que deveria ser de 25% da receita própria, ficou em apenas 12%.

O presidente da Câmara apontou ainda que, apesar das críticas, o legislativo tem colaborado com a prefeita em algumas questões. Citou como exemplo o caso dos R$ 13 milhões investidos em uniformes escolares, valor que será contabilizado nos 25% destinados à educação, ajudando a prefeita a cumprir a exigência constitucional. No entanto, Cerqueira expressou dúvidas sobre como a prefeita pretende alcançar os R$ 25 milhões necessários para completar o investimento em educação, especialmente considerando que o décimo terceiro salário ainda não foi pago.

O vereador também questionou o gerenciamento dos recursos da saúde, afirmando que estes são frequentemente remanejados. Segundo ele, já foram remanejados 20%, equivalentes a cerca de R$ 380 milhões, e há uma proposta para mais R$ 140 a 150 milhões. Ele informou que a Câmara está analisando a situação para determinar o destino desse dinheiro.

Cerqueira, que possui formação em contabilidade, lidera uma investigação sobre os valores remanejados e solicitou informações detalhadas sobre a destinação desses recursos à Câmara. Ele questiona o paradeiro do dinheiro, afirmando que ele não foi destinado a obras nem ao DAE.

A situação levanta dúvidas sobre a transparência e as prioridades da administração de Flávia Moretti, especialmente quando a infraestrutura da cidade apresenta sinais de deterioração e a população anseia por explicações claras sobre a alocação dos recursos públicos.

Fonte: omatogrosso.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *