Em Mato Grosso, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) liderou um amplo debate sobre a fiscalização eletrônica da tabela de piso mínimo do frete rodoviário, em vigor desde 6 de outubro. A medida tem causado forte reação no setor produtivo, particularmente entre os produtores de algodão, que expressam preocupação com os impactos econômicos.
O encontro, que deu continuidade aos trabalhos da Comissão de Infraestrutura do IPA, reuniu diversas entidades do setor produtivo, além de sindicatos e associações ligadas ao transporte de cargas. O objetivo central foi discutir as distorções da tabela de fretes e buscar alternativas junto ao Governo Federal.
O presidente da Ampa manifestou oposição a qualquer tipo de tabelamento, defendendo a livre iniciativa e o livre mercado. A associação planeja demonstrar às autarquias e ministérios do Governo Federal as falhas da tabela, buscando apoio no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) questionam a metodologia e a legalidade da tabela desde sua criação em 2018.
Segundo informações, um primeiro movimento já havia sido realizado pelo IPA, reunindo 52 entidades para debater o tema e elaborar um manifesto questionando a tabela de frete, documento este que foi encaminhado à FPA e posteriormente a diversos ministérios, incluindo o da Economia. Uma palestra com o diretor da ANTT responsável pelo tema está agendada para o dia 6 de novembro.
A metodologia de cálculo da tabela, elaborada em 2018, é considerada desatualizada e necessita de aprimoramento. O setor produtivo pretende agendar uma reunião com o ministro Fernando Haddad para demonstrar que a tabela gera inflação e confusão, buscando construir um estudo com dados que permitam uma discussão qualificada com a ANTT.
O presidente da Aprosoja/MT alertou para os impactos da fiscalização eletrônica da tabela de fretes nos produtores, pequenos transportadores e no consumidor final, lembrando que o frete sempre representou um peso significativo na formação de custos da lavoura, com reflexos diretos no preço dos fertilizantes e, consequentemente, no custo de vida.
O senador José Lacerda (PSD), suplente do ministro Carlos Fávaro, participou do debate e se comprometeu a levar as demandas a Brasília, já tendo agendado uma reunião sobre o tema. Representantes da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas do Brasil (ANTC), da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), do Ministério da Agricultura e Pecuária, e de empresas do agronegócio também marcaram presença.