Produtores de Mato Grosso manifestam preocupação com o início da safra 2025/26, impactada por um período de déficit hídrico, temperaturas elevadas e distribuição irregular das chuvas. Em diversas regiões do estado, relatos apontam para dificuldades na germinação e no desenvolvimento inicial das lavouras de soja, reflexo direto da falta de umidade no solo.
O cenário adverso já provoca atrasos no cronograma de plantio, o que gera apreensão em relação à janela ideal para o cultivo do milho de segunda safra. A situação é crítica em municípios como Sorriso, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Colíder e Campo Verde, onde muitos produtores interromperam o plantio diante da escassez de chuvas.
“Este ano, a chuva tem vindo a conta-gotas”, afirma Lucas Beber, presidente da Aprosoja/MT. Segundo ele, a irregularidade das precipitações causa germinação inadequada, estandes mal distribuídos e plantas com porte reduzido, um quadro atípico em comparação com anos anteriores. Beber alerta para o risco de impactos na produtividade do milho e para o aumento da incidência de pragas nas lavouras de soja semeadas tardiamente.
Mesmo em regiões onde o plantio está mais adiantado, como Sorriso, as plantas apresentam sinais de estresse hídrico e porte reduzido, o que pode comprometer a área foliar e, consequentemente, a produtividade final. Há relatos de replantio em algumas áreas, embora os números ainda não sejam significativos. Produtores ponderam os custos do replantio, estimados em cerca de 10 sacas por hectare, e o risco de atrasar ainda mais a semeadura do milho safrinha.
Em Campo Verde, o produtor Rafael Marsaro relata que a soja de 30 dias apresenta crescimento abaixo do esperado devido à seca. “O solo está seco e não retém umidade. O plantio avança, mas a produtividade está em risco. A janela do algodão já passou e a do milho começa a ficar comprometida”, lamenta. Para ele, os dados oficiais de plantio não refletem a realidade do campo, onde muitas lavouras enfrentam condições desfavoráveis. “Há áreas com quase um mês de plantio e crescimento limitado, outras com 15 dias ainda saindo do chão, e lavouras recém-plantadas que nem germinaram”, completa Marsaro.
O cenário climático desafiador se soma a outros problemas, como o alto custo de produção e a dificuldade de acesso ao crédito, o que aumenta a pressão sobre os produtores neste início de safra.