O Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil, enfrenta um cenário preocupante. Em outubro, o preço médio do arroz em casca atingiu o menor patamar em 14 anos, considerando valores reais desde setembro de 2011. A forte desvalorização impacta diretamente os produtores e pode levar à redução da área cultivada na próxima safra.

O Indicador CEPEA/IRGA-RS aponta que o valor atual da saca não cobre os custos de produção, intensificado pela dificuldade de acesso ao crédito rural. Produtores gaúchos, responsáveis por mais de 70% da produção nacional, expressam insegurança diante da situação.

A pressão nos preços do arroz beneficiado, tanto no atacado quanto no varejo, tem dificultado o repasse de aumentos aos produtores, criando um desequilíbrio no mercado. Esse cenário dificulta a recuperação dos preços na base da cadeia produtiva.

O aumento nas despesas logísticas também contribui para o encarecimento do arroz. A fiscalização da tabela de fretes, com novas exigências como seguros obrigatórios e valores mínimos, elevou o custo do transporte até as beneficiadoras e centros consumidores.

A combinação de preços baixos, custos elevados e crédito escasso preocupa o setor, que teme desabastecimento futuro e maior dependência de importações, especialmente em anos de quebra de safra.

Produtores buscam alternativas para mitigar prejuízos, como escalonar a colheita, renegociar dívidas e adotar tecnologias para reduzir custos operacionais. O setor defende atenção do poder público para evitar a perda de competitividade da cadeia orizícola nacional.

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