A dificuldade de acesso à moradia vai além da ausência de habitação, abrangendo a falta de infraestrutura que garanta serviços essenciais próximos aos moradores. Essa é a avaliação do professor Carlos Moreno, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, durante evento no Brasil.

O professor defende um conceito urbano que visa organizar bairros para que as necessidades diárias dos moradores – saúde, comércio, lazer e educação – sejam atendidas a uma curta distância de suas residências. A proposta busca reduzir a dependência de carros, diminuir a poluição, melhorar a qualidade de vida, promover o bem-estar e aumentar a resiliência das comunidades.

Segundo Moreno, morar longe das regiões centrais e sem acesso a serviços básicos equivale à exclusão. Ele ressalta a importância de transformar o modo de vida nas cidades para garantir tempo útil e digno, inclusão social e econômica, com acesso a serviços essenciais.

O rápido crescimento da urbanização, segundo o urbanista, gerou informalidade, carência de serviços e dificuldades de convivência, especialmente na expansão de metrópoles.

Soluções para cidades sustentáveis incluem a utilização de soluções baseadas na natureza, a expansão de áreas verdes e o incentivo à mobilidade de baixo carbono. A presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero, complementa que um território sustentável depende também da redução das desigualdades sociais e da promoção da qualidade de vida, com hábitos mais saudáveis e integração social.

O bairro de Presidente Altino, na divisa entre São Paulo e Osasco, foi escolhido para a aplicação de uma estratégia social focada em cidades e comunidades sustentáveis. O projeto, liderado pelo Instituto Motiva, envolverá empresas, organizações da sociedade civil, poder público e a população local.

A iniciativa visa sistematizar o processo, desde a mobilização até a governança, para contribuir com a formulação de políticas públicas para a área das cidades. Em parceria com o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro, o projeto buscará se tornar um modelo replicável para outros territórios.

Ao todo, 20 territórios foram selecionados para receber ações de promoção de espaços mais sustentáveis. Os locais passarão por um diagnóstico inicial e terão planos de desenvolvimento territorial específicos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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