A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, desativou sua conta na rede social X (anteriormente Twitter) após ter sofrido graves ameaças de morte e violência sexual durante o período de sua campanha eleitoral. A jovem parlamentar, que já denunciou os ataques à Polícia Civil de Minas Gerais, relatou que as mensagens recebidas também incluem investidas machistas, racistas e ameaças de estupro.

Os ataques coordenados em seus perfis se intensificaram após sua participação em Brasília, na quinta-feira (8), para reforçar a campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, durante o segundo turno das eleições. “Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim, nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou a minha conta no Twitter, porque nós estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos. A ameaça de morte e ameaça de estupro”, desabafou a deputada eleita em outra plataforma digital. Ana Elisa expressou sentir-se “totalmente vulnerável” por não possuir ainda escolta de segurança.

Entre as denúncias, destaca-se um e-mail recebido em 5 de setembro, cujos prints foram compartilhados pela deputada. Na mensagem, o autor se identificava como integrante do grupo de extrema-direita e supremacista branco Ku Klux Klan, ressaltando que pessoas como ele não toleram mulheres pretas em espaços de poder e descrevendo explicitamente suas intenções de estuprá-la.

Ana Elisa, a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil, conquistou 524.219 votos nas eleições de 2022, garantindo o posto de segunda mais votada em Minas Gerais para o cargo, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Ela também se tornou a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados. Nascida em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, Ana Elisa é estudante de direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Sua trajetória política começou ao frequentar um sindicato com a mãe. Ela ganhou notoriedade nas redes sociais com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação, crescendo de quase 2 milhões de seguidores para mais de 3 milhões no Instagram durante a campanha.

O caso da deputada Ana Elisa reflete um preocupante cenário de violência política de gênero no país. No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com diversas denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2022. Os relatos incluem violência física e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro. Dados do próprio TSE, aliás, revelam um crescimento de 11 vezes na violência política de gênero entre 2022 e períodos subsequentes, sublinhando a gravidade do cenário. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, por exemplo, registrou 1,5 mil denúncias de violência política contra a mulher.

Mulheres em situação de violência política, ou qualquer pessoa que tenha conhecimento da ocorrência deste crime, podem comunicar o fato em diversos canais institucionais. Entre eles estão a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (atendimento gratuito, humanizado e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias da semana, via telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail central180@mulheres.gov.br e videochamada em Libras); a Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público; a Procuradoria-Geral Eleitoral; a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); a Polícia Federal (via Comunica PF e delegacias estaduais); e o Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU), para assistência e orientação jurídica. Em casos de emergência, o acionamento da Polícia Militar pelo telefone 190 é fundamental.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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