A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), de apenas 21 anos, denunciou à Polícia Civil uma série de ameaças de morte e violência sexual que recebeu durante o período da campanha eleitoral de 2022. As mensagens, segundo a parlamentar eleita, incluem ataques machistas e racistas, além de explícitas ameaças de estupro. A situação foi agravada pela exposição de dados pessoais como endereço residencial, número de telefone e documentos. Diante da gravidade dos fatos, o Partido dos Trabalhadores contratou segurança armada para protegê-la. “Chegando em Minas Gerais, já terei escolta”, afirmou a jovem deputada.
Ana Elisa já havia tornado públicos, em suas redes sociais, prints de um e-mail recebido em 5 de setembro. Na mensagem, o autor se identificava como integrante da Ku Klux Klan, grupo de extrema-direita e supremacista branco. O remetente enfatizava que pessoas como ele não toleram mulheres pretas em espaços de poder e descrevia detalhes de como pretendia violentá-la sexualmente.
A deputada Ana Elisa é um fenômeno eleitoral, tendo conquistado 524.219 votos nas eleições para deputada federal de 2022, tornando-se a segunda mais votada em Minas Gerais para o cargo, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Seu desempenho a garantiu como a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil. Nascida em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, ela é estudante de direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Sua trajetória na política começou ao frequentar sindicatos com a mãe. Ela ganhou notoriedade nas redes sociais com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação, alcançando quase 2 milhões de seguidores durante a campanha e superando 3 milhões após a eleição.
O caso de Ana Elisa não é isolado e reflete um cenário preocupante de violência política de gênero no Brasil. No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com diversas denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2022. Os relatos abrangem violência física e verbal, além de ameaças de morte e estupro. Dados do próprio TSE mostram que a violência política de gênero cresceu significativamente nos últimos ciclos eleitorais, evidenciando um aumento expressivo no número de incidentes.
A gravidade do tema ressalta a importância dos canais de denúncia e apoio. Mulheres em situação de violência política, e qualquer pessoa com conhecimento de tais crimes, podem comunicar os fatos a diversas instituições. Entre as opções disponíveis estão a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (que registrou 1,5 mil denúncias de violência política contra a mulher), a Procuradoria-Geral Eleitoral e as delegacias de Polícia nos estados. Em casos de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
Por Marcos Puntel