Com os olhos já voltados para as eleições de 2026, o cenário político nacional começa a se desenhar a partir da força individual de parlamentares no Senado Federal, mensurada por sua performance eleitoral. A análise dos senadores mais votados, tanto em termos absolutos quanto na proporção de votos válidos em seus respectivos estados, oferece um panorama sobre o capital político que poderá influenciar alianças, candidaturas e debates nos próximos pleitos.

Este levantamento não apenas quantifica o apoio popular, mas também indica a capacidade de mobilização e a representatividade de cada mandato. A expressividade nas urnas se traduz em poder de barganha dentro das siglas partidárias, influência nas pautas legislativas e um trunfo na construção de chapas majoritárias, sejam para a reeleição ao próprio Senado, para governos estaduais ou para composições em nível presidencial.

Entre os dez senadores que demonstraram esse poderio eleitoral nas últimas eleições (2018 e 2022), destacam-se nomes que transcenderam barreiras regionais ou solidificaram bases eleitorais massivas, combinando votações absolutas robustas com percentuais significativos dentro de seus estados:

1. Otto Alencar (PSD-BA): Eleito em 2022 com mais de 4.258.840 votos, representando 70,05% dos votos válidos na Bahia.
2. Camilo Santana (PT-CE): Eleito em 2022, obteve 2.311.954 votos, equivalendo a 69,73% dos votos válidos no Ceará.
3. Astronauta Marcos Pontes (PL-SP): Em 2022, angariou 2.404.032 votos, perfazendo 11,04% dos votos válidos em São Paulo, um estado com eleitorado massivo.
4. Sergio Moro (União Brasil-PR): Eleito em 2022 com 1.953.189 votos, correspondendo a 33,50% dos votos válidos no Paraná.
5. Jaques Wagner (PT-BA): Em 2018, conquistou 3.321.432 votos, ou 27,47% dos votos válidos na Bahia.
6. Weverton Rocha (PDT-MA): Eleito em 2018 com 1.944.475 votos, alcançando 41,20% dos votos válidos no Maranhão.
7. Teresa Cristina (PP-MS): Em 2022, recebeu 829.418 votos, o que representou 58,54% dos votos válidos em Mato Grosso do Sul.
8. Marcos Rogério (PL-RO): Reeleito em 2022 com 530.015 votos, atingindo 48,70% dos votos válidos em Rondônia.
9. Omar Aziz (PSD-AM): Eleito em 2018 com 830.057 votos, correspondendo a 38,87% dos votos válidos no Amazonas.
10. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): Em 2018, obteve 153.649 votos, o equivalente a impressionantes 80,21% dos votos válidos no Amapá, destacando a força percentual em estados menores.

Esses números revelam a força do mandato e a capacidade de mobilização eleitoral de cada senador. Senadores com votações expressivas em termos absolutos, especialmente em estados populosos como Bahia, São Paulo e Ceará, detêm um capital político significativo para influenciar decisões em nível nacional e disputas futuras. Já aqueles com alto percentual de votos válidos em seus estados, mesmo que com números absolutos menores em unidades da federação com eleitorado reduzido, demonstram uma base consolidada e uma representatividade inquestionável dentro de suas fronteiras estaduais, fator crucial para a articulação de políticas regionais e o fortalecimento de suas legendas.

A relevância dessas performances vai além da simples contagem de votos. Ela se traduz em um lastro eleitoral que posiciona esses parlamentares como peças-chave no tabuleiro que se arma para o próximo ciclo eleitoral. A longevidade política de muitos desses nomes, combinada com a capacidade comprovada de angariar milhões de votos ou dominar o percentual em seus estados, permite-lhes influenciar diretamente a formação de alianças, a definição de plataformas e a própria agenda legislativa, moldando a configuração do poder federal e estadual nos próximos anos.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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