A robusta cadeia de produção e distribuição de biocombustíveis construída ao longo de cinco décadas no Brasil tem se revelado um escudo essencial contra a volatilidade dos preços internacionais do petróleo, garantindo maior estabilidade no mercado interno de combustíveis. Essa estrutura consolidada, fruto de investimentos contínuos e políticas estratégicas, permite que o país absorva e dilua parte das pressões globais que frequentemente abalam outras economias.

O programa Proálcool, lançado na década de 1970 em resposta à primeira crise global do petróleo, foi o pilar inicial dessa estratégia. Desde então, investimentos maciços em pesquisa, desenvolvimento agrícola, industrialização e logística transformaram o Brasil em um líder mundial na produção de etanol e, mais recentemente, de biodiesel. Essa infraestrutura complexa interliga lavouras, usinas e uma vasta rede de distribuição, desde os postos de combustível até os centros de armazenagem, permitindo que os biocombustíveis sejam uma alternativa viável e amplamente disponível em todo o território nacional.

A presença massiva do etanol anidro na gasolina e do etanol hidratado como opção direta nas bombas, somada à inserção compulsória do biodiesel no diesel, cria uma oferta diversificada que reduz a dependência exclusiva do petróleo e seus derivados importados. Sendo produzidos majoritariamente com matéria-prima nacional — cana-de-açúcar para o etanol e óleos vegetais para o biodiesel — esses combustíveis dissociam parte do custo final do mercado internacional. Flutuações na cotação do barril de petróleo são, portanto, diluídas pela contribuição de uma matriz energética com custos de produção interna e moeda nacional, aliviando a pressão sobre a inflação e a balança comercial.

Para o consumidor final, essa diversificação se traduz em menos variações abruptas nos preços das bombas, proporcionando maior previsibilidade no orçamento familiar e empresarial. Em um cenário global de incertezas energéticas e geopolíticas, a autonomia parcial alcançada pelo Brasil no setor de combustíveis representa um ativo estratégico de segurança energética e um fator de mitigação da inflação e dos impactos na balança comercial. A contínua modernização da cadeia de biocombustíveis, com o desenvolvimento de novas gerações de etanol e a expansão da produção de biodiesel, solidifica o papel do Brasil como referência global em energias renováveis e um exemplo de como a diversificação da matriz energética pode ser um pilar de estabilidade econômica.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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