O governo do Ceará anunciou um plano para atrair empresas de data centers para o estado, oferecendo um sistema de tratamento de água que utilizará água de reúso do esgoto. A iniciativa visa abastecer as empresas de armazenamento e processamento de dados que se instalarem no complexo do Porto do Pecém, localizado na região metropolitana de Fortaleza, onde um novo polo industrial está sendo desenvolvido.
A instalação de data centers no Ceará tem gerado preocupação devido ao histórico de secas graves no estado e ao alto consumo de água dessas empresas, utilizada para o resfriamento de equipamentos. No entanto, o governo estadual garante que as indústrias que se instalarão no Ceará utilizarão tecnologias inovadoras que reduzem significativamente o consumo de água, baseadas em sistemas fechados que não exigem reabastecimento.
Além da água, os data centers também consomem muita energia. O Brasil, com sua matriz elétrica majoritariamente renovável, é visto como uma alternativa interessante para o setor. Em 2024, os 189 data centers em funcionamento no país consumiram 1,7% de toda a energia produzida, equivalente ao consumo das cidades de Fortaleza e Salvador juntas.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) autorizou a implantação de dois projetos de data centers no Ceará, ambos no Complexo do Pecém. O segundo projeto, no entanto, está condicionado à ampliação da rede de transmissão de energia do estado, pois representam uma carga significativa para o sistema elétrico da região.
Recentemente, o governo federal criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), que zera a cobrança de impostos para a compra de equipamentos do setor, representando uma renúncia fiscal de R$ 7,5 bilhões em três anos.
Espera-se que, com a instalação de novos data centers, o consumo de energia elétrica no Brasil possa mais que dobrar até 2029, chegando a 3,6% da energia produzida no país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br