No domingo, os serviços de segurança ucranianos realizaram um ataque maciço com drones contra bases aéreas militares russas, atingindo alvos a milhares de quilômetros da linha de frente, naquela que o presidente Volodymyr Zelensky descreveu como a operação de maior alcance já realizada pela Ucrânia.

A operação, denominada “Teia de Aranha”, exigiu meses de preparação e o contrabando de drones para território russo.
Eis o que sabemos sobre os ataques, que ocorreram na véspera das negociações em Istambul entre a Rússia e a Ucrânia para explorar as perspectivas de um cessar-fogo:
O que a Rússia perdeu?
A Ucrânia alega ter causado danos significativos. Mas, por enquanto, a extensão desses danos é impossível de verificar de forma independente.
Uma fonte do serviço de segurança ucraniano SBU afirmou que os ataques coordenados atingiram 41 aeronaves usadas para “bombardear cidades ucranianas”, citando os bombardeiros estratégicos Tu-95 e Tu-22 e a aeronave de comando e detecção de radar A-50.
Se confirmado, o maior prêmio para Kiev poderia ser danificar um A-50, aeronave que a Rússia usa para coordenar seus caças e detectar mísseis de defesa aérea ucranianos.
Acredita-se que menos de 10 dessas aeronaves estejam em serviço. Esta seria a terceira que a Rússia perdeu desde a invasão em larga escala da Ucrânia, com outras duas tendo sido abatidas por mísseis terra-ar ucranianos no início de 2024.
A Rússia não produz mais os aviões Tu-95MS ou Tu-22 M3, que se acredita estarem entre os incendiados. Juntamente com o Tu-160, esses bombardeiros de longo alcance são capazes de transportar 16 mísseis de cruzeiro com alcance superior a 2.000 quilômetros.
Os mísseis representam um problema particular para a defesa aérea ucraniana, que não conseguiu interceptar nenhum dos nove mísseis lançados contra o país na noite de 24 de maio. Devido à sua velocidade e capacidade de manobra, eles só podem ser abatidos com mísseis dos sistemas Patriot, de fabricação americana, ou SAMP-T, franco-italiano.
A Ucrânia ficou sem mísseis SAMP-T no final de maio. Kiev solicitou mais mísseis Patriot a Washington, mas o secretário de Estado Marco Rubio afirmou: “Francamente, não os temos”.