O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta quarta-feira (22) a decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. A medida, segundo o presidente, corresponde ao princípio da reciprocidade e visa restabelecer a normalidade nas relações bilaterais.
A iniciativa brasileira surge como resposta direta à determinação do governo dos Estados Unidos de expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, do território norte-americano. “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, declarou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota, que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada sobre a aplicação do princípio da reciprocidade. O Itamaraty destacou que a decisão sumária dos EUA contra o agente brasileiro não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, o que contraria um acordo bilateral de cooperação na área policial e as boas práticas diplomáticas entre nações amigas, como Brasil e Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. O agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento sobre intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
A expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho pelos EUA está ligada à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Embora o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos não tenha citado nomes, o pedido de saída de um “funcionário brasileiro” do território norte-americano, feito na última segunda-feira (20), indicava o envolvimento do delegado da PF.
Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes relacionados à trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do país para os Estados Unidos, onde residia. Em dezembro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos. Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem, em Orlando, Flórida – onde ficou detido por dois dias –, ocorreu como resultado de cooperação policial internacional, sendo ele considerado foragido da Justiça brasileira.
No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula aproveitou para anunciar a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. O reforço, segundo ele, será destinado aos portos, aeroportos e regiões de fronteira, como parte do compromisso do governo no combate ao crime organizado.
Por Marcos Puntel