O apresentador José Luiz Datena trouxe à tona um questionamento direto sobre a eficácia da aposta do governo Lula na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Datena, à frente do programa “Alô Alô Brasil” na Rádio Nacional, uma das emissoras do conglomerado público, expressou publicamente sua insatisfação com a baixa audiência de sua atração.
A reclamação do jornalista televisivo, conhecido por sua franqueza, ecoa um debate persistente sobre o alcance e a relevância dos veículos de comunicação estatais no Brasil. Seu programa na Rádio Nacional, que integra a estrutura da EBC, seria um dos pontos de contato do governo com a população, conforme a visão estratégica que norteia o investimento na empresa.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado a importância da EBC como ferramenta essencial para a comunicação pública, buscando consolidar um contraponto à mídia privada e fortalecer a difusão de informações de interesse social. Para isso, há um movimento de reestruturação e injeção de recursos, visando ampliar sua infraestrutura e diversificar seu conteúdo.
Nesse cenário, a fala de Datena funciona como um termômetro. Ao apontar a dificuldade em atrair ouvintes, o apresentador levanta dúvidas sobre se os investimentos e a estratégia adotada estão, de fato, se traduzindo em maior engajamento e alcance junto ao público. A baixa audiência relatada para o “Alô Alô Brasil” sugere que o caminho para consolidar a EBC como um player relevante no cenário midiático ainda apresenta obstáculos significativos.
A situação reacende o debate sobre a gestão de empresas públicas de comunicação, seus custos, sua independência editorial e, principalmente, sua capacidade de competir por atenção em um ambiente midiático cada vez mais fragmentado e dominado por players comerciais e digitais. A aposta governamental na EBC, portanto, segue sob escrutínio, com resultados que ainda desafiam as expectativas de seus idealizadores.
Por Marcos Puntel