Com o objetivo de ampliar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual, o Museu do Futebol lançou oficialmente neste mês o audioguia “Futebol é Mais”. O projeto, considerado inédito e inovador, oferece uma audiodescrição dramatúrgica da nova exposição principal da instituição, prometendo uma experiência imersiva para seus visitantes.
Embora já estivesse disponível desde o segundo semestre de 2025, a iniciativa agora ganha novas versões em inglês e espanhol, expandindo seu alcance. O audioguia adota o formato de um programa de rádio, conduzido por dois âncoras e uma repórter, que guiam o público por todo o percurso expositivo, detalhando as nuances e histórias apresentadas.
Georgea Rodrigues, audiodescritora e diretora da Inclusive Acessibilidade, detalha o cuidadoso processo de desenvolvimento. “Desenvolvemos esse projeto com muito cuidado ao longo de dois anos e, durante o processo, percebemos que um programa de rádio poderia agregar um valor interessante à audiodescrição, pois é um meio de comunicação muito consumido pela pessoa com deficiência visual”, afirma Rodrigues. Ela ressalta que o projeto vai além da acessibilidade primária, buscando engajar um público mais amplo. “A ideia é que as pessoas sem deficiência visual, exceto as pessoas com deficiência auditiva, ouçam a audiodescrição, achem interessante a experiência que propomos e compreendam um pouco mais como as pessoas com deficiência visual constroem as imagens com o recurso da audiodescrição. Nesse sentido é uma ampliação do entendimento do que pode ser esse recurso de acessibilidade.”
Por meio dessa ferramenta, os visitantes são apresentados a fatos marcantes sobre alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro. São revelados, por exemplo, que Pelé se tornou verbete de dicionário, ou que Marta, a Rainha do Futebol, jogou descalça durante um bom período de sua vida e utilizava cabeças de boneca como bola em suas peladas em Alagoas. A iniciativa reforça o compromisso do Museu do Futebol em tornar as ricas narrativas do futebol acessíveis e compreensíveis para todos os públicos.
Por Marcos Puntel