Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado nesta semana entre o Ministério Público Federal (MPF), a Prefeitura de Tibau do Sul (RN) e a Associação do Turismo Náutico de Pipa (Atunp) para impor restrições aos passeios de barco na icônica Praia de Pipa. A medida visa primordialmente diminuir os impactos da atividade sobre a fauna marinha local, especialmente golfinhos da espécie boto-cinza e tartarugas-marinhas.

A decisão, que entra em vigor imediatamente, responde a crescentes preocupações com a sustentabilidade do ecossistema costeiro da região, um dos cartões-postais do litoral potiguar. Estudos e observações ao longo dos anos têm apontado para um aumento na perturbação dos habitats naturais dessas espécies devido ao tráfego intenso e, por vezes, desordenado de embarcações. O boto-cinza, particularmente vulnerável, é uma espécie que habita estuários e águas costeiras, áreas frequentemente utilizadas pelos passeios turísticos.

O TAC estabelece novas diretrizes para a operação do turismo náutico, incluindo a delimitação de áreas de navegação, a imposição de limites de velocidade para as embarcações e a regulamentação sobre a aproximação e interação com os animais marinhos. A fiscalização será intensificada para garantir o cumprimento das normas, com o objetivo de equilibrar a atividade turística, vital para a economia local, com a preservação ambiental, essencial para o futuro da região.

Representantes do MPF destacam a importância do acordo como um marco na gestão ambiental da região, ressaltando a necessidade de ações preventivas para evitar danos irreversíveis à biodiversidade marinha. A Prefeitura de Tibau do Sul, por sua vez, reforça o compromisso com um turismo sustentável, que valorize e proteja seus recursos naturais, ao mesmo tempo em que oferece experiências memoráveis aos visitantes. A Atunp, que reúne operadores de turismo náutico, colaborou ativamente na formulação do TAC, demonstrando a conscientização do setor sobre a urgência de práticas mais responsáveis e ambientalmente amigáveis.

A expectativa é que as novas regras contribuam significativamente para a recuperação e manutenção das populações de boto-cinza e tartarugas-marinhas na região, garantindo que a beleza natural e a rica fauna de Pipa possam ser apreciadas por muitas gerações vindouras.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://redir.folha.com.br

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