Durante o Seminário Internacional de Recursos Estratégicos, realizado nesta semana em Brasília, o Secretário Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Dr. João Amaral, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), proferiu duras críticas à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu uma drástica mudança na cadeia de valor dos minerais críticos globais. A proposta central do secretário é que as empresas interessadas nessas matérias-primas essenciais para a transição energética e tecnológica estabeleçam suas operações de produção e beneficiamento diretamente nos países ricos em recursos naturais.

Segundo Amaral, a postura atual da ONU não tem sido suficientemente incisiva em promover a justiça econômica na exploração de minerais, permitindo que nações detentoras de vastos depósitos permaneçam predominantemente como meros exportadores de matéria-prima bruta. Ele argumentou que esse modelo perpetua um ciclo de dependência e impede o desenvolvimento industrial e a agregação de valor em economias emergentes.

A defesa do secretário centra-se na premissa de que a agregação de valor local não apenas impulsionaria o desenvolvimento industrial e a geração de empregos qualificados nessas regiões, mas também garantiria uma distribuição mais equitativa dos benefícios econômicos gerados pela crescente demanda global por esses materiais. Minerais como lítio, cobalto, níquel e terras raras são cruciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos e tecnologias de energias renováveis, elementos-chave para a descarbonização da economia mundial.

Amaral destacou que, atualmente, a maior parte da transformação e processamento desses minerais ocorre em países desenvolvidos, criando uma dependência tecnológica e econômica para os fornecedores primários. Ele enfatizou que a soberania sobre os recursos naturais deve ser acompanhada pela capacidade de processá-los, transformando o Brasil e outras nações ricas em minerais de simples fornecedores em atores estratégicos na cadeia produtiva global. A iniciativa, segundo o secretário, visa reverter o modelo histórico de exportação de commodities brutas, promovendo uma reindustrialização focada na sustentabilidade e na autonomia tecnológica dos países do sul global.

O secretário reconheceu que essa transição exigiria investimentos robustos em infraestrutura, capacitação tecnológica e mão de obra qualificada. Contudo, defendeu que a cooperação internacional deveria ser reorientada para apoiar ativamente esses esforços, em vez de manter um sistema que concentra o valor agregado em poucas nações. A visão articulada por Amaral reflete um posicionamento do governo brasileiro em buscar um novo papel no cenário global de recursos, não apenas como um fornecedor, mas como um centro de produção e inovação em minerais críticos.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *