As Testemunhas de Jeová anunciaram uma significativa atualização em sua política referente a procedimentos médicos envolvendo sangue, agora permitindo que seus membros removam, armazenem e recebam de volta seu próprio sangue em tratamentos. Esta modificação representa um ajuste notável nas diretrizes da denominação.
A nova orientação autoriza explicitamente o que é conhecido como autotransfusão ou procedimentos autólogos, onde o sangue de um indivíduo é coletado antes de uma cirurgia ou tratamento, guardado e, posteriormente, reinfundido no mesmo paciente. Esta prática é comum em diversas intervenções médicas, visando reduzir riscos de contaminação e reações adversas associadas a doações de terceiros.
Anteriormente, a política da organização era estritamente contra a transfusão de sangue, interpretando textos bíblicos como uma proibição ao consumo ou armazenamento de sangue, mesmo que fosse do próprio indivíduo. A atualização agora distingue claramente entre o sangue de doadores externos (alogeneico), que continua sendo proibido, e o manuseio do próprio sangue do paciente.
Para os fiéis, esta mudança pode simplificar a tomada de decisões médicas complexas, oferecendo uma opção para cirurgias e tratamentos que antes apresentavam impasses éticos e religiosos intransponíveis dentro das diretrizes da fé. A medida visa harmonizar a doutrina com avanços e práticas médicas que priorizam a segurança e a eficácia.
Apesar da nova permissão para o uso autólogo, a postura fundamental das Testemunhas de Jeová contra a transfusão de sangue de outras pessoas permanece inalterada, mantendo o foco na santidade do sangue conforme sua interpretação religiosa.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br