Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Volta Redonda, em parceria com o Instituto Direito Coletivo (IDC) e a Incubadora Tecnológica de Empreendimentos de Economia Solidária do Médio Paraíba (InTECSOL), revelou que a indústria alimentícia é a principal geradora de plásticos que não podem ser recuperados pela coleta seletiva. A pesquisa destaca os impactos significativos desses materiais para o meio ambiente e para a eficiência dos sistemas de reciclagem.

O levantamento aponta que a complexidade das embalagens utilizadas para proteger e conservar alimentos é o cerne do problema. Muitos desses invólucros são compostos por múltiplas camadas de diferentes tipos de plásticos ou pela combinação de plástico com outros materiais, como alumínio, tornando-os inviáveis para os processos de reciclagem convencionais. Sacos de salgadinhos, embalagens de biscoitos, iogurtes e outros produtos perecíveis são exemplos comuns que, apesar de parecerem plásticos, acabam sendo descartados em aterros ou no meio ambiente.

Os impactos são vastos e preocupantes. A presença maciça desses plásticos irrecuperáveis sobrecarrega as cooperativas de catadores e os centros de triagem, que gastam tempo e recursos separando materiais que não têm valor de mercado ou destino para reciclagem. Isso não só eleva os custos operacionais, mas também desmotiva a cadeia da economia circular e aumenta o volume de resíduos que se acumulam em aterros sanitários, rios e oceanos, contribuindo para a poluição e a degradação ambiental.

Os responsáveis pelo estudo ressaltam a necessidade urgente de um esforço conjunto da indústria, do poder público e da sociedade civil para buscar soluções. Isso inclui o desenvolvimento e a adoção de embalagens mais sustentáveis – sejam elas monomateriais, recicláveis de fato ou compostáveis – além do investimento em novas tecnologias de reciclagem capazes de processar materiais complexos. A pesquisa enfatiza que a conscientização do consumidor sobre o descarte correto e a pressão por produtos com embalagens responsáveis são igualmente cruciais para mitigar os danos. O cenário atual exige uma transição acelerada para modelos de produção e consumo que priorizem a circularidade e a minimização de resíduos de difícil tratamento, visando um futuro mais sustentável para o planeta.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agencianossa.com

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