O governo federal emitiu um alerta de risco elevadíssimo para a escassez de fertilizantes no Brasil, uma situação que ameaça a segurança alimentar e a economia do agronegócio nacional. A iminência dessa crise é atribuída, principalmente, aos conflitos geopolíticos no Irã e às restrições de exportação impostas pela China, dois dos principais atores no mercado global de insumos agrícolas.

No Irã, a escalada de conflitos regionais tem gerado instabilidade na produção e nas rotas de escoamento de nutrientes essenciais. A interrupção ou a dificuldade no transporte desses produtos afeta diretamente a cadeia de suprimentos global, reduzindo a disponibilidade e elevando os preços no mercado internacional.

Simultaneamente, a China, um dos maiores produtores e exportadores mundiais de fertilizantes, tem adotado políticas mais restritivas para suas vendas externas. A medida visa prioritariamente assegurar o abastecimento de seu próprio mercado interno, em um momento de preocupação com a segurança alimentar doméstica e a estabilidade de preços, impactando significativamente a oferta para países importadores como o Brasil.

A dependência brasileira de fertilizantes importados é notória, superando 80% do consumo total do país. Essa vulnerabilidade torna o agronegócio nacional altamente suscetível a choques externos. A potencial falta de insumos, ou seu encarecimento drástico, pode resultar em aumento dos custos de produção para agricultores, queda na produtividade das lavouras e, consequentemente, elevação dos preços dos alimentos para o consumidor final, além de comprometer as exportações agrícolas.

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem monitorado a situação de perto, buscando diversificar fornecedores e negociar acordos que possam mitigar o impacto. Contudo, as alternativas são limitadas em um mercado global já tensionado e com pouca margem para manobras rápidas. O setor produtivo e as autoridades governamentais convergem na avaliação de que o desafio é complexo e exige soluções de médio e longo prazo para reduzir a dependência externa e garantir a sustentabilidade da produção de alimentos no país.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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