Pela primeira vez na história recente, o Brasil registra mais idosos do que crianças em sua população, um marco que sinaliza uma profunda transformação demográfica no país. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de brasileiros com mais de 60 anos superou o de crianças de até nove anos.
Os números revelam que 32,1 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivem no Brasil, representando 15,8% da população nacional. Em contrapartida, as crianças de até nove anos somam 26,4 milhões, correspondendo a 13% do total de habitantes. Essa inversão numérica é um retrato vívido da mudança acelerada que o país experimenta nas últimas duas décadas.
A comparação com o Censo de 2000 evidencia a profundidade dessa alteração. Naquele período, os idosos representavam apenas 8,6% da população brasileira, enquanto as crianças constituíam uma fatia significativamente maior, com 19,4% do total. A transição demográfica, caracterizada pela queda nas taxas de natalidade e o aumento da expectativa de vida, culminou nesta nova estrutura etária.
Essa virada impõe novos desafios e oportunidades para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Políticas públicas nas áreas de saúde, previdência, mercado de trabalho e urbanismo precisarão se adaptar a essa nova realidade, que demanda infraestrutura e serviços voltados para uma população mais longeva. A projeção de um Brasil com uma base etária cada vez mais madura reconfigura as prioridades nacionais e aponta para a necessidade de um planejamento estratégico de longo prazo que contemple as particularidades de um país envelhecido.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br