A atmosfera política em Santa Catarina esquenta à medida que o ano de 2026 se aproxima, impulsionada por uma acirrada disputa entre o governo federal, liderado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a administração estadual do Governador Jorginho Mello. O cerne do conflito reside no financiamento e no andamento das obras nas rodovias catarinenses, uma questão de infraestrutura que transcende o asfalto e adentra o campo minado da política eleitoral.
De um lado, o Palácio do Planalto defende que os repasses para as obras rodoviárias em Santa Catarina são realizados conforme a capacidade orçamentária da União e a priorização de projetos de abrangência nacional. Fontes ligadas ao Ministério dos Transportes indicam que há um rigoroso cronograma e uma série de exigências técnicas para a liberação de recursos, buscando garantir a correta aplicação do dinheiro público e a viabilidade dos empreendimentos. Alega-se, em Brasília, que a execução local por vezes não acompanha o ritmo esperado, ou que há a necessidade de alinhamento com diretrizes federais para a liberação de novas tranches.
Contrário a essa visão, o governo de Jorginho Mello em Florianópolis acusa a gestão federal de politizar a questão, criando entraves burocráticos e, em alguns casos, retendo verbas que seriam cruciais para o avanço de obras essenciais à infraestrutura catarinense. A administração estadual argumenta que a população de Santa Catarina não pode ser refém de embates políticos, e que a morosidade federal impede o desenvolvimento de projetos vitais para a economia do estado, que depende fortemente de suas rodovias para o escoamento da produção agrícola e industrial, além do fluxo turístico. A duplicação de trechos estratégicos e a manutenção de importantes corredores logísticos, como a BR-101 e a BR-470, são constantemente citadas como exemplos do que, na visão estadual, sofre com a falta de agilidade e o que parece ser uma seletividade nas prioridades federais.
Os reflexos dessa disputa já são sentidos pela população e pelo setor produtivo. Empresas enfrentam desafios logísticos, motoristas convivem com a precariedade de alguns trechos e os riscos de acidentes aumentam, enquanto projetos que prometiam desafogar o tráfego e impulsionar o desenvolvimento local permanecem em ritmo lento ou estagnados. A retórica de ambos os lados intensifica-se, transformando cada quilômetro de asfalto em um palco para a construção de narrativas políticas.
Com o horizonte de 2026 no radar, a performance na entrega de obras de infraestrutura, especialmente as rodoviárias que possuem alta visibilidade, será um trunfo eleitoral inegável. A capacidade de cada governo em reivindicar o crédito por avanços ou em desviar a culpa por eventuais falhas determinará, em grande parte, o capital político a ser gasto na próxima corrida eleitoral. A disputa em Santa Catarina, portanto, é mais do que um embate técnico sobre engenharia; é um jogo de xadrez político onde cada movimento, cada verba liberada ou retida, cada declaração pública, mira no futuro pleito. A rodovia, neste cenário, é tanto um caminho para o tráfego quanto para as urnas.
Por Marcos Puntel