Após a pandemia de 2020, aquele evento trágico que ainda nos deixa amargas memórias, o mundo testemunha um aumento súbito e notável nas viagens de forma geral, com destaque especial para as jornadas internacionais. Durante o período de contenção da Covid-19, as fronteiras permaneceram fechadas ou severamente restritas, impelindo as pessoas a explorar os próprios países de domicílio. Agora, a reabertura global acende um desejo renovado de descoberta e reconexão (03/03/2026 – 15h50).
A demanda reprimida por experiências além das fronteiras é, sem dúvida, um dos motores primários dessa explosão. Anos de isolamento e a rotina exaustiva da pandemia criaram uma sede por novidades e por reencontros culturais que superam a cautela inicial. Agências de turismo e companhias aéreas registram números impressionantes, superando, em alguns casos, os patamares pré-pandêmicos. Destinos que antes eram considerados exóticos ou distantes tornaram-se acessíveis, impulsionados também pela flexibilidade que o trabalho remoto trouxe para muitos profissionais, permitindo estadias mais longas e a exploração de múltiplos locais.
Esse fervor viajante tem um impacto significativo na economia global. Países cuja principal receita advém do turismo estão colhendo os frutos dessa retomada, gerando empregos e injetando capital em setores como hotelaria, gastronomia e transporte. Paralelamente, observa-se uma mudança no perfil do viajante. Muitos buscam agora experiências mais autênticas e imersivas, valorizando a sustentabilidade e o contato genuíno com as culturas locais, em detrimento do turismo de massa tradicional. Há também um crescimento no segmento de viagens de aventura e de bem-estar, refletindo uma busca por equilíbrio e novas perspectivas após um período tão turbulento.
Contudo, o crescimento exponencial também apresenta desafios. Alguns destinos enfrentam questões de superturismo, com a infraestrutura local sob pressão e a autenticidade cultural ameaçada. A gestão sustentável do fluxo de visitantes torna-se uma prioridade para governos e operadores turísticos, visando preservar os recursos naturais e culturais que atraem esses viajantes. A tendência atual sugere que a paixão por explorar o mundo está mais viva do que nunca. Longe de ser um fenômeno passageiro, a reabertura das fronteiras e a redescoberta do prazer de viajar parecem consolidar um novo capítulo para o turismo global, moldando a forma como interagimos com outros povos e culturas nos anos vindouros.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br