A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a terceira fase da Operação Compliance Zero, culminando na prisão do renomado banqueiro Armando Costa e Silva, presidente do Banco Capitalis, em São Paulo. Ele é apontado como um dos líderes de um sofisticado esquema de fraudes financeiras que teria movimentado bilhões de reais em recursos ilícitos ao longo dos últimos anos.
A prisão de Costa e Silva é de caráter preventivo e ocorreu em sua residência de alto padrão nos Jardins, zona oeste da capital paulista. Além dele, outras nove pessoas foram detidas em São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo diretores e ex-funcionários do Banco Capitalis e de empresas supostamente envolvidas no esquema.
Cerca de 120 agentes da PF, com o apoio da Receita Federal e do Ministério Público Federal, cumpriram um total de 15 mandados de prisão preventiva e 35 de busca e apreensão. Os alvos incluíram a sede do Banco Capitalis em São Paulo, escritórios de advocacia, sedes de empresas de fachada e residências dos investigados. Documentos, computadores e outros equipamentos foram apreendidos para análise.
A Operação Compliance Zero, iniciada há seis meses, investiga uma complexa rede de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta e manipulação de mercado. As fases anteriores haviam focado em operadores menores e na coleta de evidências que, segundo os investigadores, apontaram para a liderança de Costa e Silva e outros executivos de alto escalão na organização criminosa.
Segundo o delegado federal Ricardo Almeida, responsável pela operação, o esquema utilizava empresas de fachada e contas no exterior para desviar recursos do próprio banco e de fundos de investimento, além de manipular resultados financeiros para inflar ativos e enganar investidores. “Estimamos que os valores desviados e as perdas para o mercado financeiro e para os cofres públicos ultrapassem a casa dos 5 bilhões de reais”, declarou Almeida em coletiva de imprensa.
Os presos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde prestarão depoimento e aguardarão as próximas etapas do processo. Eles deverão ser indiciados por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa e, em alguns casos, corrupção. O Banco Capitalis ainda não se pronunciou oficialmente sobre as prisões.
Por Marcos Puntel