Um novo levantamento do Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, realizado pelo Mapbiomas e divulgado nesta quarta-feira (4), revela um crescimento expressivo das favelas brasileiras, que quase triplicaram de tamanho nos últimos 40 anos. A área ocupada por essas comunidades saltou de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024, um aumento de 2,75 vezes. No mesmo período, as cidades brasileiras, de forma geral, cresceram 2,5 vezes.

O estudo aponta que as favelas brasileiras ocupam hoje uma área total de 92,3 mil hectares a mais do que há quatro décadas. Manaus destaca-se como a cidade onde o crescimento das favelas foi mais acentuado em extensão, comparado a outros territórios urbanos, registrando uma expansão de 2,6 vezes na capital amazonense.

A dinâmica de crescimento foi particularmente intensa nas regiões metropolitanas do país, que, em 2024, abrigavam 82% das áreas urbanizadas em favelas. As maiores concentrações dessas áreas urbanizadas estão nas regiões metropolitanas de São Paulo (11,8 mil hectares), Manaus (11,4 mil hectares) e Belém (11,3 mil hectares). No recorte por favela individual, o Distrito Federal abriga as que mais cresceram no período, posicionando Sol Nascente e 26 de Setembro como as maiores do Brasil, com 599 hectares e 577 hectares, respectivamente.

Júlio Pedrassoli, geógrafo e coordenador do Mapbiomas, analisa essa tendência como preocupante. “As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. Frente às mudanças climáticas em curso, se acende um sinal de alerta”, reforça Pedrassoli.

Além do crescimento das favelas, o levantamento também trouxe dados alarmantes sobre segurança hídrica. Cerca de 25% das áreas naturais que foram urbanizadas nos últimos 40 anos estão localizadas em regiões onde a capacidade de abastecimento de água para as populações é considerada crítica. Essas áreas somam aproximadamente 167,5 mil hectares, distribuídos por 1.325 municípios brasileiros. A cidade do Rio de Janeiro é a que concentra a maior área urbanizada nessas condições, com 7,6 mil hectares adicionais em regiões de mínima segurança hídrica ao longo das últimas quatro décadas.

“Existe um descompasso entre o crescimento das cidades e a disponibilidade de água. O fato de 1.325 municípios terem ampliado sua mancha urbana nessas condições revela que o problema é estrutural e nacional. Não é apenas uma questão de risco”, conclui Pedrassoli.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *