A nova fase do Open Finance, sistema de compartilhamento de dados financeiros, chega com a promessa de acelerar a troca de dívidas entre bancos, buscando oferecer maior flexibilidade e condições mais vantajosas aos consumidores. A iniciativa, desenhada para intensificar a competição entre as instituições financeiras, teoricamente permitiria que clientes endividados migrem seus passivos para onde encontrem as melhores taxas, facilitando a renegociação e a portabilidade de débitos como empréstimos pessoais e financiamentos.
Com a implementação desta etapa, o processo para que um banco acesse o histórico financeiro de um cliente, mediante sua autorização, torna-se mais ágil e padronizado. Isso, em tese, levaria a ofertas de crédito mais personalizadas e competitivas, forçando o mercado a responder com propostas mais atraentes para reter ou conquistar devedores. A expectativa é que o consumidor possa comparar propostas de diferentes instituições com mais facilidade e rapidez, escolhendo aquela que melhor se adapta à sua realidade financeira.
Contudo, a eficácia desse mecanismo de alívio financeiro encontra um obstáculo significativo na atual conjuntura econômica brasileira: os juros elevados. A taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamares considerados altos para conter a inflação, impactando diretamente o custo de captação dos bancos. Esse custo é, invariavelmente, repassado aos empréstimos e financiamentos, limitando a margem para que as instituições ofereçam reduções substanciais nas taxas de juros ao consumidor.
Mesmo com a facilidade proporcionada pelo Open Finance em expor e comparar as melhores ofertas do mercado, o espaço para uma queda expressiva nas taxas de juros é restrito pelo custo básico do dinheiro na economia. Assim, embora o consumidor possa encontrar uma proposta ligeiramente mais vantajosa ou um prazo de pagamento mais adequado do que o atual, dificilmente verá um corte drástico que represente um alívio substancial e transformador em seu orçamento, enquanto o cenário macroeconômico de juros altos persistir.
Especialistas do mercado financeiro apontam que, embora o Open Finance seja um avanço tecnológico e regulatório importante para a transparência e a competitividade, seu potencial máximo de beneficiar o bolso do cidadão só será plenamente realizado em um ambiente de juros mais baixos. Por ora, a nova fase atuará mais como um otimizador de dívidas existentes, permitindo pequenas melhorias, do que como um vetor de grande redução de custos para o endividado. O verdadeiro alívio, portanto, ainda depende de uma política monetária mais flexível e de um contexto econômico que propicie a queda da Selic.
Por Marcos Puntel