O governo federal anunciou a elevação do Imposto de Importação sobre máquinas e equipamentos, uma medida que impactará diretamente o setor produtivo nacional. A decisão, publicada nesta semana, acontece em um cenário econômico desafiador, com a taxa Selic mantida em um patamar de 15% ao ano, o que já restringe severamente o acesso a crédito e o volume de investimentos no país.
Empresários e especialistas em economia alertam que a nova tributação adiciona uma camada de dificuldade para indústrias que dependem da importação de tecnologia e maquinário para modernizar suas operações e aumentar a competitividade. Com a Selic em dois dígitos, o custo do capital para aquisição de bens de produção já é considerado proibitivo pela maioria das empresas, desestimulando a expansão e a renovação de parques fabris. A elevação do imposto de importação, portanto, encarece ainda mais esses ativos essenciais.
Fontes ligadas ao Ministério da Fazenda justificam a medida como uma forma de proteger a indústria nacional de máquinas e equipamentos, incentivando a produção interna, além de buscar um aumento na arrecadação federal. Contudo, representantes de federações industriais argumentam que, embora a proteção possa ser um objetivo válido, ela não pode vir à custa da competitividade geral da economia. Em um comunicado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação, afirmando que “a combinação de juros altos e o aumento de impostos sobre bens de capital é um golpe direto na capacidade de investimento e inovação das empresas brasileiras, em um momento em que mais precisamos de estímulos para o crescimento.”
Economistas apontam que a restrição à importação de máquinas modernas pode desacelerar o processo de digitalização e automação da indústria, deixando o Brasil em desvantagem em relação a países que facilitam o acesso a tecnologias de ponta. Além disso, o repasse do aumento de custos para o consumidor final é uma preocupação, podendo gerar pressões inflacionárias adicionais. O setor produtivo aguarda agora um posicionamento mais detalhado do governo sobre como os impactos negativos serão mitigados e se há um plano de incentivo compensatório para as empresas que buscam modernização.
Por Marcos Puntel