O setor agropecuário de Mato Grosso registrou movimentações distintas em janeiro de 2026, conforme levantamento recente. Enquanto a comercialização da soja da safra 2024/2025 atingiu a totalidade da produção, com preço médio de R$ 108,46 por saca – uma queda de 6,87% em relação ao mês anterior –, outros segmentos apresentaram dinâmicas variadas.
Para a safra 2025/2026 da soja, as vendas alcançaram 49,49% da produção prevista, um avanço de 5,34 pontos percentuais em comparação a dezembro de 2025. O ritmo, contudo, foi contido pela retração nos preços da oleaginosa em janeiro, que fecharam com média de R$ 104,12 por saca, mantendo um viés de baixa no mercado. A safra 2026/2027 teve um crescimento mais modesto, de 0,70 ponto percentual, totalizando 1,46% da produção prevista comercializada, também sob pressão dos preços.
No milho, a comercialização da safra 2024/2025 chegou a 92,36% da produção em janeiro de 2026. As negociações do cereal disponível avançaram 4,07 pontos percentuais no mês, mas em um ritmo inferior ao observado no período anterior. Essa desaceleração é atribuída à desvalorização do milho no estado. Para a safra 2025/2026, houve um avanço mensal de 2,77 pontos percentuais, com 32% da produção já comercializada. A queda nos preços está ligada a uma demanda mais retraída e ao fato de que as indústrias realizaram compras expressivas ao longo de 2025, mantendo estoques elevados e reduzindo a necessidade de novas aquisições no curto prazo.
O algodão demonstrou um cenário de avanço. A comercialização da safra 2025/2026 alcançou 54,81% da produção projetada em janeiro de 2026, com um avanço mensal de 8,10 pontos percentuais. Esse movimento foi impulsionado pela maior disposição dos produtores em negociar a safra futura, diante do progresso da semeadura e de preços futuros mais atrativos, resultando em um volume 5,99 pontos percentuais adiantado na comparação anual. Já a safra 2026/2027 iniciou com 5,35% da produção comercializada, ficando 1,96 ponto percentual à frente do mesmo período da safra anterior, mas 2,16 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos.
No setor pecuário, Mato Grosso registrou o maior volume de exportações de carne bovina para um mês de janeiro em 2026, com 83,06 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC). A receita gerada foi de US$ 356,45 milhões, impulsionada pela valorização anual do preço médio. A China manteve sua posição como principal destino da carne bovina mato-grossense, absorvendo 57,50% dos embarques, indicando uma demanda externa firme. Já no segmento suíno, o preço médio pago ao produtor em janeiro de 2026 foi de R$ 7,65 por quilo, uma queda de 4,42% em relação ao mês anterior, reflexo da menor demanda por proteína suína, embora no comparativo anual houvesse uma alta de 3,46%. O preço da carcaça comum no estado também recuou 0,82% em relação a dezembro de 2025, fechando janeiro em R$ 12,11 por quilo.
Em relação à logística, os fretes rodoviários de grãos apresentaram alta na maioria das regiões de Mato Grosso na última semana, impulsionados pela maior oferta de grãos para escoamento e pela restrição na disponibilidade de caminhões. As cotações mantiveram trajetória de alta, com destaque para as rotas de Sorriso (MT) a Miritituba (PA) e de Querência (MT) a Colinas do Tocantins (TO), que registraram médias de R$ 325,14 por tonelada e R$ 277,36 por tonelada, respectivamente, representando altas de 2,47% e 2,73%.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br