Com o recente destaque de “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar e em alta nas discussões culturais, os olhos se voltam mais uma vez para a rica produção cinematográfica brasileira. Neste cenário de renovado interesse, o renomado crítico, jornalista e documentarista André Barcinski, conhecido por sua vasta erudição e paixão pela sétima arte, compartilhou sua lista pessoal dos dez filmes brasileiros que mais o marcaram. Uma seleção que reflete não apenas o seu gosto, mas também a diversidade e a excelência de nossa cinematografia.
Barcinski, que ao longo de décadas tem sido uma voz influente na crítica cinematográfica nacional, propõe uma viagem por clássicos e obras que, em sua visão, são essenciais para entender a trajetória e a potência do cinema feito no Brasil. Sua escolha não se prende a um gênero ou período específico, mas busca celebrar a inventividade e a capacidade de nossos diretores e roteiristas de contar histórias.
Entre os títulos eleitos, destacam-se obras que são pilares da filmografia nacional e internacionalmente reconhecidas. O clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, surge como um marco incontestável, representando o auge do Cinema Novo. Ao seu lado, a contundência e a relevância de “Cidade de Deus” (2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, ressaltam o impacto global que o cinema brasileiro pode alcançar.
A lista de Barcinski prossegue com a sensibilidade de “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, que emocionou plateias em todo o mundo, e a brutalidade poética de “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, uma adaptação magistral da obra de Graciliano Ramos. A experimentação visual e narrativa também encontra seu lugar com o cultuado “Limite” (1931), de Mário Peixoto, uma joia do cinema mudo brasileiro.
Completam a seleção de dez filmes que moldam a perspectiva do crítico: “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte, o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes; a distopia sertaneja “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; a comédia dramática “O Auto da Compadecida” (2000), de Guel Arraes; a exuberância de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto; e a visceralidade de “Tropa de Elite” (2007), de José Padilha.
A iniciativa de Barcinski serve como um convite à redescoberta e ao debate sobre a riqueza do patrimônio cinematográfico brasileiro. Em um momento em que “O Agente Secreto” coloca o país no radar da academia internacional, a lista reforça a importância de revisitar e valorizar as produções que construíram e continuam a construir a identidade do cinema nacional.
Por Marcos Puntel