O Congresso Nacional brasileiro acelera a tramitação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, mesmo diante da persistente paralisia do lado europeu. A movimentação em Brasília contrasta com as crescentes resistências em capitais europeias, especialmente na França, que questionam as políticas ambientais dos países sul-americanos. Parlamentares brasileiros buscam ratificar o tratado que promete abrir novos mercados e impulsionar a economia regional.
A urgência na pauta legislativa brasileira reflete a expectativa de setores como o agronegócio e a indústria, que veem no acordo a chance de ampliar o acesso a um dos maiores blocos consumidores do mundo. Propostas de votação estão sendo articuladas em comissões-chave, como a de Relações Exteriores e de Constituição e Justiça (CCJ), com o objetivo de levar a matéria ao plenário em um futuro próximo. O governo federal tem exercido pressão para que o acordo seja votado ainda este ano, vendo-o como uma prioridade estratégica para a política externa e econômica do país.
No lado europeu, a França tem liderado a oposição, invocando preocupações ambientais e a proteção de sua própria produção agrícola. O presidente Emmanuel Macron tem sido vocal ao condicionar a aprovação do acordo ao cumprimento de metas ambientais mais rigorosas por parte dos países do Mercosul, especialmente o Brasil. Outros países, como Áustria e Irlanda, também manifestaram ressalvas, embora com menor intensidade. A União Europeia propôs um protocolo adicional com exigências ambientais mais estritas, o que foi visto com ceticismo pelo Brasil e outros membros do Mercosul, que consideram as novas condições um entrave.
Apesar dos entraves europeus, a dinâmica interna do Mercosul tem se mostrado mais coesa. A recente mudança de governo na Argentina, com a posse de Javier Milei, trouxe um novo alinhamento nas discussões, com o país vizinho demonstrando maior entusiasmo pela liberalização comercial. Paraguai e Uruguai também se mostram favoráveis à ratificação, buscando ampliar seus mercados e diversificar suas relações comerciais globais.
A eventual aprovação unilateral pelo Congresso brasileiro colocaria o Brasil em uma posição de vanguarda dentro do bloco, pressionando os parceiros europeus a reconsiderarem sua postura. Defensores do acordo projetam um aumento significativo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e dos demais membros do Mercosul, além da diversificação da pauta exportadora. A não concretização do tratado, por outro lado, representaria um golpe nas aspirações comerciais do bloco e na credibilidade de acordos futuros com outras regiões.
Por Marcos Puntel