O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master. A decisão ocorre após a controladora, o Banco Master, ter sido alvo de liquidação anterior e operado sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde sua decretação. Entre as medidas previstas para a Will Financeira está a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, que integrava o conglomerado Master.

Inicialmente, o BC havia imposto o RAET ao Master Múltiplo S/A com o objetivo de buscar uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira, considerando ser uma medida adequada e de interesse público. Contudo, a autoridade monetária avaliou que essa solução não se mostrou viável. Em 19 de janeiro, foi constatado o descumprimento pela Will Financeira de sua grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo. Diante dessa situação, o Banco Central considerou a liquidação extrajudicial da Will Financeira inevitável, em razão do comprometimento de sua situação econômico-financeira, sua insolvência e o vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master.

O conglomerado, liderado pelo Banco Master, detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master ganhou notoriedade por oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade significativamente acima da média de mercado. Para sustentar esse modelo, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real, o dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores, deteriorava-se.

As investigações da Polícia Federal e os relatórios do Banco Central indicam que o colapso do Master não se limitou a questões financeiras, estendendo-se a um comprometimento institucional. A conexão com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o caso em um cenário complexo, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições.

Estimativas apontam que, entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações financeiras. O esquema envolvia empréstimos a empresas supostamente laranja que, por sua vez, aplicavam os recursos em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos eram utilizados para a compra de ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflacionados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag considerados suspeitos, com um patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões – dinheiro que supostamente circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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