O Ministério da Saúde mobilizou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para Roraima, estado fronteiriço com a Venezuela. A medida visa avaliar estruturas de saúde, profissionais, estoques de vacinas e outros insumos, em resposta a um possível agravamento da crise internacional e o avanço da demanda de migrantes na região, após um ataque conduzido pelo governo norte-americano que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Em nota, a pasta informou que está estruturando um plano de contingência para garantir a capacidade de resposta do SUS. Embora o fluxo migratório na região permaneça estável “até o momento”, a ação preventiva busca reduzir impactos no sistema público de saúde brasileiro. As equipes enviadas a Roraima são experientes em situações de tragédia e estão focadas em identificar e avaliar a ampliação de estruturas hospitalares. Caso a necessidade surja, o governo planeja montar hospitais de campanha e expandir unidades já existentes.
Adicionalmente, o Ministério da Saúde colocou-se à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para fornecer ajuda humanitária à Venezuela, incluindo medicamentos e insumos para diálise. Essa oferta surge em um momento crítico, com a destruição do principal centro de distribuição de La Guaira, na Venezuela, em decorrência dos ataques. O ministério reafirmou o papel do SUS como referência internacional, assegurando assistência médica integral a todos em solo nacional, inclusive imigrantes em cidades de fronteira, independentemente de seu status migratório ou nacionalidade.
A mobilização brasileira ocorre em um cenário de alta tensão. No último sábado (3), Caracas, capital venezuelana, registrou diversas explosões em seus bairros. Em meio a um ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
Este evento marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão de um país latino-americano pelos EUA ocorreu em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, sob acusação de narcotráfico. De forma similar, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano, “De Los Soles”, sem apresentar provas – a existência do cartel, inclusive, é questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas. O governo do presidente Donald Trump havia oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para muitos críticos, a ação representa uma medida geopolítica visando afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre as vastas reservas de petróleo do país, as maiores comprovadas do planeta. A situação tem gerado preocupação internacional, com entidades como a CNBB expressando apoio à Igreja na Venezuela e embaixadores alertando sobre ameaças à paz na América do Sul.
Por Marcos Puntel