Em comemoração aos 60 anos da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), um painel técnico reuniu produtores rurais e especialistas para debater o “Desenvolvimento Econômico Sustentável de Mato Grosso”. O evento, realizado ontem (4), abordou temas cruciais para o setor, como planejamento estratégico, logística e os impactos da reforma tributária.
Cleiton Gauer, superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), conduziu o debate, que contou com a participação de Vilmondes Tomain, presidente do Sistema Famato, Frederico Azevedo, superintendente do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), e Alisson Alencar, procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC-MT).
Alencar apresentou propostas de ação conjunta entre o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o MPC-MT para enfrentar os desafios regulatórios do setor. A desburocratização de linhas de crédito, o incentivo à adoção de tecnologia e a gestão digital foram apontados como medidas essenciais para atender às exigências de rastreabilidade. Segundo o procurador, o objetivo é garantir segurança jurídica e estabilidade aos produtores.
Uma das propostas apresentadas foi a criação de um “pacto pela maturidade digital”, visando aumentar o uso de softwares de gestão no campo em um período de cinco anos. Alencar também sugeriu a transformação de incentivos fiscais em obrigações de desempenho social, condicionando benefícios à geração comprovada de empregos e priorizando projetos de diversificação econômica em municípios carentes.
O procurador-geral do MPC-MT se colocou à disposição para auxiliar na segurança jurídica das políticas do governo e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Ele propôs a instalação de uma mesa técnica dedicada às demandas do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com o objetivo de ampliar o diálogo e acelerar análises e regularizações. A iniciativa tem previsão para iniciar no próximo ano.
Vilmondes Tomain, presidente do Sistema Famato, ressaltou o trabalho contínuo da entidade na representação do setor e na busca por soluções para reduzir entraves ambientais e tributários. Ele destacou o empenho em entender os desafios tributários que se apresentarão no próximo ano, visando preparar os produtores para enfrentá-los.
Frederico Azevedo, do Sistema OCB, defendeu a união das entidades do agro para construir um planejamento estratégico de longo prazo, liderado pela agricultura e pecuária, com metas, cronogramas e indicadores para toda a cadeia produtiva.