A Brasileira de Inteligência (Abin) apresentou, nesta terça-feira (2), um estudo detalhado sobre os principais desafios que o país enfrentará em 2026, visando antecipar ameaças à segurança do Estado e da sociedade. A publicação, denominada Desafios de Inteligência Edição 2026, destaca a segurança no processo eleitoral e o crescente risco de ataques cibernéticos sofisticados, impulsionados por inteligência artificial (IA), como pontos de atenção prioritária.

O relatório, que servirá de base para assessorar a Presidência da República na tomada de decisões estratégicas e formulação de políticas, contou com a colaboração de especialistas de diversas áreas, incluindo universidades, instituições de pesquisa e agências governamentais. As análises abrangeram temas como clima, tecnologia, demografia, saúde, migrações, além de avaliações conjunturais sobre o cenário internacional e regional.

O documento elenca cinco desafios cruciais para mitigar riscos diretos e indiretos à segurança nacional: a segurança no processo eleitoral, a transição para a criptografia pós-quântica, os ataques cibernéticos autônomos com agentes de inteligência artificial, a reconfiguração das cadeias de suprimento global e a dependência tecnológica, atores não estatais e interferência externa.

Em relação ao contexto geopolítico, o relatório aponta o uso de instrumentos econômicos como ferramentas de pressão política e o aumento de ameaças militares a países latino-americanos, incluindo aqueles que fazem fronteira com o Brasil. A competição acirrada pelo desenvolvimento e uso da inteligência artificial também é ressaltada como um fator de instabilidade.

A Abin descreve o cenário global como um período de profunda reconfiguração, impulsionado pela convergência de questões climáticas, demográficas e tecnológicas, em um ambiente de desestruturação da ordem internacional e intensificação da competição entre as grandes potências.

No tocante às eleições gerais de 2026, a identifica ameaças complexas e multifacetadas, lideradas por tentativas de deslegitimar as instituições democráticas, como as que resultaram nos atos de 8 de janeiro. O documento também alerta para a crescente influência do crime organizado em áreas sob seu controle e o risco de interferência externa visando desestabilizar o processo eleitoral e promover interesses geopolíticos estrangeiros.

O relatório enfatiza a necessidade de vigilância sobre as transições nos domínios do clima, da demografia e da tecnologia, destacando os impactos da Era Digital e a importância de garantir a soberania digital do país. A dependência de hardwares estrangeiros e a concentração de poder em big techs são apontadas como obstáculos a serem superados. A rápida evolução da IA, capaz de planejar e executar ataques de forma autônoma, representa um risco adicional, com potencial para escalar incidentes cibernéticos para conflitos militares. A considera urgente a transição para algoritmos pós-quânticos que não dependam de tecnologias estrangeiras.

A reconfiguração das cadeias globais de suprimento, impulsionada pela ascensão chinesa, a guerra econômica entre China e Estados Unidos, e as vulnerabilidades expostas pela pandemia da covid-19, também é apontada como um desafio relevante. O Brasil enfrenta uma dupla dependência, tanto da China para o superávit comercial quanto do capital e das tecnologias ocidentais para investimentos. As mudanças climáticas, com o aumento da frequência de desastres naturais, representam outra ameaça, com impactos setoriais severos e perdas bilionárias.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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