O mercado de milho no Brasil enfrenta um início de ciclo 2025/26 desafiador, com preços pressionados por uma oferta abundante tanto no país quanto globalmente. Estoques elevados, perspectivas climáticas favoráveis para a safra e uma demanda consistente contribuem para manter as cotações estáveis, porém com tendência de queda no curto prazo.
A produção projetada para 2025/26 é considerada satisfatória, e os estoques permanecem em níveis confortáveis, refletindo safras recentes acima da média. Essa combinação exerce resistência técnica sobre os preços e resulta em um comportamento lateralizado do mercado nas últimas semanas.
A oferta abundante no Brasil coincide com um cenário semelhante no mercado internacional. Os Estados Unidos estão colhendo uma safra robusta, enquanto a China projeta uma produção doméstica superior a 300 milhões de toneladas, diminuindo seu apetite por importações. Essa situação global limita significativamente as chances de altas expressivas nos preços.
Apesar do cenário de pressão, alguns fatores internos impedem quedas mais acentuadas. A desvalorização do real tem atuado como um amortecedor, fornecendo suporte às cotações internas. Além disso, as compras da indústria, incluindo setores como proteína animal e etanol, seguem em ritmo pontual, sem pressão por aquisições imediatas, o que contribui para manter o mercado travado.
A expansão do setor de etanol de milho continua sendo um dos principais impulsionadores do consumo no Brasil. Com o aumento da capacidade instalada e margens consideradas favoráveis, o setor tem absorvido um volume considerável de grãos ao longo do ano. A produção de etanol continua a crescer de forma consistente, acompanhando o aumento da capacidade das usinas e a crescente demanda por etanol anidro, dando suporte à demanda mesmo em um cenário de ampla oferta.
O consumo para ração animal também se mantém sólido, absorvendo cerca de 51 milhões de toneladas, considerando aves, suínos, confinamentos e outras cadeias. Embora apresente um crescimento mais estável, esse volume regular ajuda a conter uma deterioração ainda maior dos preços.
O desempenho das exportações brasileiras no início de novembro foi positivo, embora o país enfrente a concorrência dos Estados Unidos e um real menos desvalorizado, o que reduz sua competitividade no mercado internacional.
Apesar da perspectiva de estabilidade com viés de baixa, existem fatores que podem alterar a dinâmica do mercado, principalmente no curto prazo. O clima é um dos elementos mais sensíveis. Irregularidades nas chuvas entre janeiro e fevereiro, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Matopiba, podem afetar o potencial produtivo e gerar uma reação imediata de alta nos preços.
Questões cambiais também podem provocar movimentos positivos, caso ocorra uma desvalorização mais acentuada do real. As próximas divulgações do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) também são aguardadas, podendo influenciar o mercado global.
O comportamento dos produtores varia conforme a região e a situação financeira. Em áreas com maior pressão logística ou necessidade de caixa, há uma tendência de venda mais rápida, aproveitando momentos de alta no câmbio. Já em regiões com maior capacidade de armazenamento, principalmente no Centro-Oeste, a retenção moderada é mais comum, aguardando melhores oportunidades de preço.