A Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, celebra a chegada de acervos inéditos de autores indígenas, marcando um momento histórico para a instituição. A oficialização da doação ocorreu durante a 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui), com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Essa iniciativa consolida a política de preservação da fundação, reconhecendo a relevância dos autores indígenas no cenário literário brasileiro contemporâneo. Os materiais serão integrados ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, setor dedicado à proteção da produção literária nacional.
Entre os doadores, destaca-se Daniel Munduruku, escritor, educador e ativista do povo Munduruku, que contribui com sua primeira máquina de escrever, fotografias, cartas, desenhos e primeiras edições de seus livros.
A escritora, poetisa e fotógrafa Márcia Kambeba, do povo Omágua/Kambeba, doa álbuns fotográficos de aldeias, desenhos com grafismos tradicionais, poemas inéditos, além de objetos como maracá, cuia e bordados.
Eliane Potiguara, pioneira entre as escritoras indígenas do Brasil e fundadora do Grumin, também participa da doação, entregando cartas, manuscritos, materiais de pesquisa, registros de atuação política, pôsteres, diplomas e documentos que atestam sua trajetória no movimento indígena.
Segundo o presidente da FCRB, Alexandre Santini, a chegada dos acervos representa um importante reconhecimento e uma transformação institucional. A programação da FliRui inclui atividades focadas nas culturas originárias, como rodas de histórias e debates sobre línguas indígenas.
Com o tema “Literatura e Democracia”, a Fundação Casa de Rui Barbosa celebra a diversidade literária em um ano significativo para o Rio de Janeiro, reconhecido pela Unesco como Capital Mundial do Livro. A iniciativa busca fortalecer a cidade como um centro de leitura, memória e criação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br