O Sistema Federação Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT), anunciou um investimento de R$ 16 milhões até 2030 para expandir a adoção da Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS). O objetivo é atender 160 propriedades rurais e alcançar 1 milhão de hectares com assistência técnica e de gestão.
O anúncio ocorreu durante evento realizado pela Embrapa Pantanal. Com a inclusão de parceiros, o programa prevê um aporte total de mais de R$ 20 milhões até 2030.
O plano prevê que o Senar MT ficará responsável pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e pela mobilização de produtores para adesão voluntária à FPS. A Famato, o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) e o Agrihub atuarão na articulação com o mercado para valorizar a carne pantaneira certificada.
Os recursos serão destinados à formação de técnicos, consultores e produtores, ao fortalecimento da extensão rural e à estruturação de sistemas de monitoramento socioambiental nas fazendas participantes. A iniciativa busca aumentar a abrangência e a consistência técnica do programa no Pantanal mato-grossense.
Segundo o superintendente do Senar MT, Marcelo Lupatini, a ideia é integrar a FPS na rotina das fazendas, com equipes qualificadas apoiando a gestão, medindo o progresso e ajustando as estratégias quando necessário.
A FPS é uma plataforma que monitora indicadores ambientais, socioculturais, produtivos e de bem-estar animal, utilizando um protocolo baseado em critérios científicos. O sistema é resultado de décadas de pesquisa da Embrapa Pantanal e integra boas práticas agropecuárias e tecnologias desenvolvidas pela instituição na região.
A chefe-geral da Embrapa Pantanal, Suzana Salis, destaca que o projeto une pesquisa, extensão, produtores e parceiros, demonstrando a viabilidade de aliar produção, inclusão social e sustentabilidade, alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os princípios de ESG.
Após um projeto piloto com 15 propriedades em Mato Grosso, a FPS entra em nova fase em 2025, com a inclusão de 80 novas fazendas em seis municípios pantaneiros, abrangendo cerca de 400 mil hectares. Nos últimos quatro anos, os resultados incluem melhorias nos índices zootécnicos, com destaque para o aumento da taxa de prenhez.
O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, afirma que, em cinco anos de projeto piloto, a idade ao primeiro parto diminuiu de 34 para 28 meses e a taxa de prenhez aumentou de 41% para 70,9%.
Desde fevereiro, o programa também se expandiu para o Mato Grosso do Sul, com a inclusão de oito fazendas que somam aproximadamente 110 mil hectares, em parceria com a Coalizão Pontes Pantaneiras.
O plano é alcançar 2 milhões de hectares do bioma até 2030. A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci MT) apoiará pesquisas com um investimento de aproximadamente R$ 3,5 milhões, destinados à Base Ativa de Germoplasma (BAG) de pastagens nativas e ao manejo do cambará.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Cesar Miranda, ressalta que o projeto reafirma o compromisso do estado com o desenvolvimento do Pantanal, garantindo mais autonomia ao produtor, gerando renda e preservando a cultura pantaneira.