Uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), atingiu o núcleo central de um esquema criminoso que, segundo o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), senador Carlos Viana, desviou recursos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por anos.

“Hoje, a operação colocou na cadeia o núcleo principal de todos os desvios do INSS; da quadrilha que tomou de assalto as aposentadorias brasileiras”, declarou o senador, antes de uma reunião da comissão para ouvir o depoimento do advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis. Investigações apontam que o escritório de Eric Fidelis recebeu cerca de R$ 5,1 milhões de dirigentes de entidades investigadas na Operação Sem Desconto.

Entre os principais desdobramentos da operação está a prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Ele havia assumido a presidência da autarquia em julho de 2023 e foi afastado do cargo em abril deste ano, no mesmo dia da primeira fase da Operação Sem Desconto, sendo posteriormente exonerado.

A operação também teve como alvo o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, José Carlos Oliveira, o deputado federal Euclydes Pettersen Neto e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo. Pettersen é investigado por supostamente ter vendido um avião a uma das entidades associativas sob investigação. Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).

O presidente da CPMI informou que outros parlamentares também estão sob investigação por suspeita de envolvimento com a fraude das mensalidades associativas, mas não forneceu detalhes para não atrapalhar o andamento das investigações.

De acordo com o senador Viana, os responsáveis pelo esquema de desvio se dividiam em três escalões: políticos que teriam recebido pagamentos para facilitar a atuação dos servidores corruptos, servidores públicos que mantinham os desvios em diferentes governos, e operadores responsáveis pelos saques e desvios diretos do dinheiro.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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