O Museu Histórico Nacional reabre parcialmente suas portas na próxima quinta-feira, com a inauguração da exposição “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”. A mostra, fruto de uma colaboração internacional com museus dos Estados Unidos, África do Sul, Senegal, Inglaterra e Bélgica, propõe uma reflexão profunda sobre o legado da escravidão.

Com entrada gratuita e aberta ao público até 1º de março de 2026, a exposição aborda a escravidão atlântica como um fenômeno global que envolveu diversos países entre os séculos XV e XIX, estabelecendo conexões com o presente. A mostra examina as consequências da escravidão em diferentes contextos, incluindo questões contemporâneas como reparação, justiça ambiental e os impactos raciais, como a violência policial.

“Todo mundo participou da concepção e da circulação dos objetos que estarão expostos”, afirmou a historiadora Keila Grinberg, curadora brasileira da exposição. A intenção é demonstrar que, embora a escravidão como praticada no passado não exista mais, suas sequelas, principalmente o racismo, persistem.

A exposição reúne aproximadamente 100 objetos, 250 imagens e dez filmes, divididos em seis seções. Após sua exibição no Rio de Janeiro, a mostra seguirá para a Cidade do Cabo, Dakar e Liverpool.

Paralelamente à exposição, o Museu e o Arquivo Nacional promoverão o seminário internacional “Para além da escravidão: memória, justiça e reparação”, nos dias 13 e 14. O Arquivo Nacional também sediará a exposição “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão”, que apresentará documentos sobre mulheres escravizadas que buscaram seus direitos na Justiça durante o século XIX.

O Instituto Pretos Novos também abrigará parte do processo de pesquisa da exposição do Museu Histórico Nacional, um projeto de pesquisas realizadas nos seis países participantes, intitulado “Conversas inacabadas”. Essa exposição estará aberta entre os dias 14 e 15 de dezembro, com entrevistas sobre como as pessoas percebem o racismo e sua consciência racial.

A escolha do Brasil como um dos primeiros destinos da exposição é considerada simbólica, devido à tradição de estudos sobre o tema no país. O Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados, cerca de 45% do total. A curadora ressalta a importância de entender a escravidão para compreender a história brasileira, bem como o seu fim, para combater o racismo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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