A Brasileira de Inteligência (Abin) aponta que a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro, da forma como foi realizada, serviu como um catalisador para a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para outros estados do país. A informação foi apresentada à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência.

De acordo com a Abin, a chegada das UPPs em determinadas áreas do Rio forçou a liderança do CV a buscar refúgio em outros estados, resultando em uma ampliação geográfica da facção. A fuga dos líderes, iniciada em 2013 e com um pico no ano passado, impulsionou a busca por novas áreas de atuação, especialmente nas fronteiras do norte.

Em 2024, o CV já atuava em estados como Tocantins, Pará, Rondônia, Santa Catarina e, claro, no Rio de Janeiro. Ao longo de uma década, a expansão se intensificou, e atualmente, o Comando Vermelho é o principal grupo criminoso na região Norte, com exceção de Roraima e Amapá. A facção também possui uma presença considerada relevante em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de atuar em outros estados.

Essa expansão foi potencializada pelo alinhamento com grupos criminosos locais que enfrentavam o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) em seus respectivos estados. O CV passou a oferecer a esses grupos acesso logístico a armas e drogas, por meio de uma cadeia de comando descentralizada, facilitando a proliferação da organização criminosa.

Enquanto o CV expande sua atuação nacionalmente, o PCC tem ampliado sua presença internacional. A Abin aponta que o PCC tem expandido sua atuação para outros países desde 2016. Em 2018, a facção já demonstrava interesse em se expandir para outros países, convocando membros que falassem espanhol. Naquele ano, a facção estava em 11 países, com cerca de mil membros. Atualmente, o PCC está presente em 28 países, com mais de 2 mil membros.

O governo do Rio de Janeiro, por sua vez, informou que a nacionalização do Comando Vermelho não pode ser atribuída exclusivamente às UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança Pública confirmou que o projeto focou na ocupação territorial, sem o devido acompanhamento de políticas públicas integradas, o que teria inviabilizado sua sustentabilidade a longo prazo. A pressão sobre os territórios controlados pelo tráfico levou muitos criminosos a se deslocarem para outros municípios e estados, contribuindo para o processo de expansão do Comando Vermelho.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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