O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu em preventiva a prisão em flagrante do policial militar Dejair Silvestre dos Santos, nesta segunda-feira (6). Dejair havia sido detido na sexta-feira (3) durante uma etapa da Operação Sisamnes, realizada em Primavera do Leste (MT), na residência de Andreson de Oliveira Gonçalves.
O policial militar, já aposentado, atuava como segurança de Andreson, apontado como intermediador na venda de sentenças nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Atualmente, Andreson cumpre prisão domiciliar devido a seu delicado estado de saúde e à sua aparência debilitada durante o período em que esteve detido.
A defesa de Dejair informou que respeita a decisão do ministro e tomará as medidas cabíveis, negando a obstrução da justiça e declarando que o investigado permanece à disposição das autoridades, confiando no esclarecimento dos fatos e na integridade de suas garantias constitucionais. A Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral instaurará uma sindicância contra o militar.
Segundo investigações, Andreson atuava como lobista no Judiciário e teria ligado dois desembargadores, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, ao advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023. Mensagens encontradas no celular de Zampieri levaram ao afastamento dos magistrados, sob suspeita de venda de decisões judiciais.
Andreson também foi alvo da Operação Ultima Ratio, em outubro de 2024, que afastou cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul, investigados por corrupção e vendas de sentenças.
Andreson de Oliveira Gonçalves foi preso em novembro de 2024, mas teve a prisão domiciliar concedida em julho deste ano. Dono de empresas de transporte em diversos estados, levava uma vida discreta, sem presença em redes sociais. Em 2022, foi denunciado por violência doméstica, mas o caso foi arquivado devido à falta de interesse da vítima em prosseguir com o processo.
As investigações tiveram início após a análise de mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, levantando suspeitas de venda de decisões e levando ao afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho. A Polícia Federal aponta que Andreson seria responsável por aproximar o advogado dos magistrados.
A defesa de Andreson argumenta que ele passou por uma cirurgia em 2020, gastrectomia vertical com interposição ileal, que altera a digestão e absorção de alimentos. Durante sua permanência na Penitenciária Central do Estado (PCE), solicitou o direito a uma alimentação especial, alegando crises, comprometimento psicológico e perda de peso devido à alimentação inadequada e falta de contato familiar. Na época, a Justiça autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana, incluindo carne assada, atum e chocolates. No entanto, imagens mostraram o lobista visivelmente debilitado após oito meses de prisão.