O fim da colheita da segunda safra, com destaque para o milho, provocou uma queda nos preços dos fretes de grãos em importantes estados produtores. Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul observaram uma diminuição nas cotações dos serviços de transporte em agosto, conforme análise de diversas rotas.
A produção recorde de milho na safra 2024/25 intensificou a necessidade de escoamento rápido, o que se refletiu nos preços dos fretes rodoviários, que atingiram o pico em julho. Apesar da queda em agosto, os valores ainda se mantêm acima dos registrados no mesmo período da safra anterior, indicando um aquecimento logístico. A expectativa é que os preços se mantenham relativamente estáveis nos próximos meses, devido à alta oferta e à demanda constante por parte dos mercados interno e externo, incluindo os setores de alimentação animal e bioenergia.
Em Mato Grosso, a desaceleração dos preços começou em agosto, com a finalização da colheita do milho. A safra estadual atingiu um volume histórico de mais de 53 milhões de toneladas de milho na segunda safra. Essa oferta elevou e saturou a capacidade estática do estado, resultando no armazenamento de grãos a céu aberto e em silos-bolsa.
As maiores quedas nos preços foram observadas em rotas mais longas para portos como Santos (SP) e Paranaguá (PR), enquanto trajetos mais curtos para terminais ferroviários ou envolvendo o Arco Norte apresentaram quedas mais moderadas ou estabilidade. Essa dinâmica reflete a mudança no perfil do escoamento regional, com um deslocamento dos eixos tradicionais para portos como Santarém e Barcarena, no Pará, e a busca por rotas logísticas mais eficientes.
O aumento da demanda por transporte para os portos do Pará, impulsionado pela crescente participação destes nas exportações, sustenta os preços do transporte rodoviário nessa região. A utilização de pontos de transbordo também se mostra uma alternativa eficiente, com alguns trajetos não registrando queda nas cotações.
Apesar das recentes reduções, os preços se mantêm elevados devido às grandes safras de soja e milho e à intensa atividade no mercado de milho, tanto para exportação quanto para consumo interno. A diversificação dos agentes de mercado e suas estratégias de atuação contribuem para reduzir a volatilidade nos preços de fretes.
Em agosto, os embarques de milho totalizaram 17,9 milhões de toneladas, superando os 15,7 milhões do mesmo período em 2024. Os portos do Arco Norte lideraram o escoamento, representando 39,8% da movimentação, seguidos por Santos (29,6%), São Francisco do Sul (11,6%), Paranaguá (11,4%) e Rio Grande (5%).
As exportações de soja em grãos, de janeiro a agosto de 2025, alcançaram 86,5 milhões de toneladas, um aumento em relação aos 83,4 milhões do ano anterior. Os portos do Arco Norte foram responsáveis por 37,5% das exportações, enquanto Santos escoou 34,2%. Paranaguá respondeu por 12,9% do montante nacional e São Francisco do Sul por 5,2%.