A Polícia Civil de Mato Grosso, em conjunto com a Polícia do Distrito Federal, deflagrou nesta manhã a Operação Arcanum, cumprindo três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Tangará da Serra, Barra do Bugres (Médio Norte) e Cáceres (região Oeste). A ação visa desarticular um grupo criminoso especializado em extorsão digital, que ameaçava divulgar conteúdo íntimo de suas vítimas para exigir dinheiro.
A investigação, iniciada a partir de ocorrências registradas no Distrito Federal, revelou que o grupo utilizava uma plataforma de relacionamento voltada a casais liberais para chegar às vítimas. Após obter acesso a material íntimo, os criminosos passavam a constrangê-las, exigindo pagamentos em dinheiro para impedir que o conteúdo fosse encaminhado a familiares, colegas de trabalho e pessoas próximas.
Através de diligências de inteligência policial e da análise sistemática de vestígios digitais e financeiros, a polícia do DF conseguiu reunir elementos que indicavam a existência de vínculos entre os investigados, uma atuação coordenada e uma estrutura organizada para a prática reiterada dos crimes. As apurações demonstraram que os episódios inicialmente identificados não eram isolados, e o aprofundamento da investigação revelou a existência de outras vítimas, inclusive em diferentes estados, submetidas ao mesmo padrão criminoso de intimidação, cobrança de valores e ameaça de exposição pública de conteúdo íntimo.
Para dificultar o rastreamento dos valores obtidos ilicitamente e a identificação de todos os beneficiários, foi constatada a utilização de contas bancárias digitais e intermediários financeiros para receber e pulverizar os recursos. A análise dos elementos digitais e financeiros indicou, ainda, que a atuação do grupo permanecia, evidenciando a contemporaneidade das condutas e a necessidade de intervenção policial para interromper a reiteração dos crimes e evitar que novas vítimas fossem atingidas.
Os indivíduos investigados poderão responder por crimes como extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de cena de nudez ou conteúdo íntimo sem consentimento. Somadas, as penas máximas para esses delitos podem alcançar 18 anos de reclusão, sem prejuízo de outras infrações que venham a ser identificadas no curso da investigação. Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo a coleta de dispositivos eletrônicos e demais elementos de prova, que serão submetidos à análise técnico-policial para o aprofundamento da investigação.
Por Marcos Puntel