Os trabalhadores dos Correios, representados por suas federações e sindicatos estaduais, anunciaram nesta terça-feira uma greve por tempo indeterminado em todo o território nacional. A decisão, que afeta a distribuição de correspondências e encomendas, foi tomada após o fracasso das negociações com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para a renovação do acordo coletivo de trabalho.
O principal ponto de discórdia reside no reajuste salarial e na manutenção de benefícios. A categoria pleiteava um aumento real acima da inflação e a garantia de direitos historicamente conquistados, como auxílio-saúde e vale-refeição. A proposta da ECT, por sua vez, foi considerada insuficiente pelos trabalhadores, alegando dificuldades financeiras da empresa e a necessidade de adequação orçamentária. As últimas rodadas de negociação, mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), não conseguiram encontrar um ponto comum entre as partes.
A paralisação está prevista para ter início à zero hora da próxima quinta-feira, após assembleias realizadas em diversos estados que aprovaram a medida por ampla maioria. “Chegamos ao limite. A intransigência da empresa em atender às nossas justas reivindicações nos forçou a esta ação extrema. Não temos outra saída a não ser lutar pelos nossos direitos e pela valorização da categoria”, afirmou Jairo Rodrigues, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (FENTECT).
A greve dos Correios deverá impactar significativamente os serviços de entrega em todo o país. Cartas, encomendas, Sedex e outros serviços postais podem sofrer atrasos e interrupções a partir da data de início. A ECT informou, em nota, que está elaborando um plano de contingência para minimizar os transtornos, priorizando a entrega de itens essenciais e urgentes, e que buscará manter um percentual mínimo de trabalhadores em atividade, conforme exigência legal.
Esta não é a primeira vez que os Correios enfrentam uma paralisação de grande porte. A categoria tem um histórico de mobilizações em busca de melhores condições de trabalho e salários. A expectativa é que novas tentativas de negociação sejam realizadas nos próximos dias, possivelmente com a intervenção de órgãos mediadores, para buscar uma solução rápida e evitar maiores prejuízos à população e à própria empresa.
Por Marcos Puntel